26 janeiro, 2026

PCdoB e China socialista: divergências ideológicas no movimento comunista internacional

Deng Xiaoping (China), Leonid Brezhnev (União Soviética) e Nicolae Ceaușescu (Romênia) durante o 9º Congresso do Partido Comunista da Romênia, realizado em Bucareste, em julho de 1965, encontro que reuniu lideranças de diferentes correntes do movimento comunista internacional. Crédito: Fototeca IICCR / via Wikimedia Commons (CC BY)


O PC DO BRASIL E A CHINA SOCIALISTA – PARTE II

Como visto na primeira parte deste estudo, profundas divergências abalaram o movimento comunista internacional a partir do XX Congresso do PCUS, em 1956, quando a nova liderança soviética denunciou Stálin e aprovou teses que alteravam de forma significativa a compreensão então predominante sobre a construção do socialismo. Essas mudanças tiveram forte impacto na organização dos comunistas brasileiros, culminando na reorganização do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Encerrava-se, assim, uma primeira fase das relações entre os comunistas brasileiros e o Partido Comunista Chinês (PCCh), ainda incipientes e fortemente marcadas pelo predomínio da influência soviética.

A cisão no movimento comunista internacional

Neste contexto, um importante encontro realizado em Moscou, em novembro de 1960, após a explicitação pública das divergências – especialmente entre a União Soviética e a China –, resultou na “Declaração da Conferência dos 81 Partidos Comunistas e Operários”, publicada na íntegra pelo jornal  Novos Rumos, edição nº 94, de dezembro de 1960. O documento expressava o objetivo de preservar a unidade do movimento comunista internacional em torno de uma estratégia comum de enfrentamento ao imperialismo.

Havia, naquele momento, um clima de entusiasmo com o crescimento da influência internacional do campo socialista, que reunia, além da URSS e China, diversos países do Leste Europeu e também na Ásia, na África e no Caribe. Apesar das divergências já existentes, a Declaração propunha a busca da unidade dos partidos comunistas contra o revisionismo, priorizando a paz, posicionava-se contra a guerra nuclear e na defesa da coexistência pacífica entre os sistemas sociais distintos.

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22 janeiro, 2026

Marxismo Ocidental - você sabe o que é?

 

Assista uma brevissima introdução ao conceito de Marxismo Ocidental.
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19 janeiro, 2026

O PCdoB e a China socialista



Em artigo publicado recentemente neste Portal, abordei a crítica à chamada Teoria dos Três Mundos formulada por Mao Zedong, especialmente a partir do livro de autoria do grande dirigente comunista João Amazonas, em 1981. As relações entre os comunistas chineses e brasileiros, entretanto, remontam ao ano de 1953, quando se deu o primeiro intercâmbio entre o PC da China e o Partido Comunista do Brasil (à época sob a sigla PCB), seguido de muitos encontros após a reestruturação do partido, até os dias atuais.

Podem ser estabelecidos três períodos distintos nessas relações. O primeiro estende-se até 1962, em um contexto marcado pela hegemonia política e ideológica da União Soviética no movimento comunista internacional, hegemonia essa crescentemente questionada após o XX Congresso do PCUS. O segundo período vai de 1963, ano da visita de João Amazonas à China, até 1992, quando da realização do 8º Congresso do PCdoB. O terceiro tem início em 1993 e se estende até os nossos dias, caracterizando-se por uma reavaliação sistemática das experiências internacionais de construção do socialismo, em especial a chinesa.

Na primeira fase, destaca-se a visita do Secretário Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Luís Carlos Prestes, à China, em 1959, quando foi recebido por Mao Zedong durante as solenidades comemorativas do décimo o aniversário da Revolução Chinesa de 1949.

A edição no. 33 do jornal Novos Rumos, órgão oficial do PCB, publicado em outubro de 1959, trazia como manchete a notícia do voo de uma aeronave soviética que alcançara uma órbita próxima à Lua e retornara com sucesso à órbita terrestre, feito apresentado como grande realização do socialismo. Na mesma edição, eram destacadas as comemorações pelo décimo aniversário da República Popular da China, exaltando-se as conquistas no curto espaço de tempo, bem como a “aliança e amizade inquebrantáveis” entre a URSS e a China. Lideranças comunistas de todo o mundo participaram das celebrações, entre elas o então primeiro-secretário do Comitê Central do PCUS, Nikita Kruschev.


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