Os extraordinários êxitos da China nas últimas décadas – na industrialização, na incorporação de tecnologias, na infraestrutura, no comércio exterior, na redução da pobreza e na elevação do padrão de vida – fazem daquele país uma indiscutível referência de desenvolvimento. Esses avanços foram conquistados em poucas décadas e alteraram profundamente a posição da China na economia e na política mundial.
Este artigo se propõe a discutir qual aprendizado o Brasil pode obter com a experiência daquele país asiático.
A comparação entre China e Brasil, entretanto, deve levar em conta as trajetórias históricas, estruturas políticas, e condições sociais diferentes de cada um. Não se trata de reproduzir no Brasil o modelo de desenvolvimento chinês. No entanto, é preciso discutir o que aquela experiência revela sobre as condições necessárias para que um país de grandes dimensões construa capacidade produtiva, tecnológica e financeira própria e, ao mesmo tempo, amplie sua autonomia no sistema internacional.
A relação entre os dois países alcançou elevado nível de importância econômica e estratégica. A China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro, empresas chinesas ampliaram sua presença no país e os dois países participam de instituições como o BRICS e o NBB. Ao mesmo tempo, a estrutura das relações comerciais revela uma assimetria que não pode ser ignorada: o Brasil concentra parcela importante de suas exportações em commodities agrícolas, minerais e carnes, enquanto importa bens industriais de maior valor agregado.
Essa assimetria nas trocas não decorre exclusivamente das relações com a China. Ela está relacionada à própria trajetória da economia brasileira e ao processo de perda relativa de inovação e densidade industrial. Assim, uma das questões a considerar é como um país pode participar da economia mundial sem desenvolver uma dependência estrutural.
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