07 outubro, 2026

Carros elétricos chineses podem modernizar a indústria brasileira?


O Brasil tornou-se um dos principais destinos dos investimentos chineses. No texto anterior analisamos a extensão e a diversificação dessas inversões em variados setores da economia, especialmente a indústria automobilística. Neste texto, a pergunta que orienta a análise é outra: a expansão das importações e da produção local está, de fato, promovendo a internalização da cadeia produtiva de veículos elétricos no país, ou se reproduz um padrão histórico de inserção subordinada? A resposta, como se verá, é que os investimentos chineses criam uma oportunidade real, mas seu aproveitamento depende de escolhas de política industrial que o Brasil ainda não fez de forma consistente.

Transição para a mobilidade elétrica

A expansão mundial da indústria de veículos elétricos resulta da combinação de diferentes fatores: a necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa, a transformação tecnológica da indústria automobilística, o avanço das políticas de transição energética e a crescente competição geoeconômica pelo domínio das cadeias produtivas de baterias, semicondutores, equipamentos elétricos e veículos eletrificados.

A China chegou à liderança desse processo depois de décadas de planejamento industrial, investimento público e privado em pesquisa e desenvolvimento e construção de cadeias produtivas integradas. A escala do seu mercado interno permitiu reduzir custos, acelerar a inovação e formar empresas capazes de competir internacionalmente em baterias, veículos elétricos e componentes associados.

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25 setembro, 2026

Investimentos chineses no Brasil entram em nova fase

 


A relação econômica entre China e Brasil cresceu substancialmente nas últimas duas décadas. No comércio exterior, a China passou a ocupar, em 2004, a posição de terceiro principal parceiro comercial do Brasil e, cinco anos depois, superou os EUA, consolidando-se como o maior parceiro comercial do Brasil, posição que mantém desde então. Diferentemente do saldo negativo obtido com o comércio bilateral com os EUA, com a China a balança foi amplamente superavitária nos últimos 20 anos.

A expansão das relações comerciais, entretanto, não eliminou uma assimetria estrutural que permanece como um dos principais desafios da relação bilateral. A pauta brasileira de exportações continua fortemente concentrada em commodities agrícolas, minerais e produtos pecuários, enquanto as importações provenientes da China possuem maior participação de bens manufaturados e de produtos de maior conteúdo tecnológico, entre eles máquinas e equipamentos, produtos eletrônicos, veículos eletrificados e produtos químicos.

A superação dessa assimetria está diretamente relacionada à capacidade brasileira de ampliar sua base produtiva e tecnológica, elevando sua participação em segmentos industriais de maior valor agregado.

Além do crescimento do comércio, os investimentos chineses no Brasil também registraram significativa expansão a partir de 2010. Em 2025, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o Brasil tornou-se o principal destino dos investimentos chineses no exterior, recebendo 6,1 bilhões de dólares em novos aportes.

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01 setembro, 2026

O que o Brasil pode aprender com a experiência chinesa?

 


                                                                                        Por Nilton Vasconcelos 

Os extraordinários êxitos da China nas últimas décadas – na industrialização, na incorporação de tecnologias, na infraestrutura, no comércio exterior, na redução da pobreza e na elevação do padrão de vida – fazem daquele país uma indiscutível referência de desenvolvimento. Esses avanços foram conquistados em poucas décadas e alteraram profundamente a posição da China na economia e na política mundial.

Este artigo se propõe a discutir qual aprendizado o Brasil pode obter com a experiência daquele país asiático.

A comparação entre China e Brasil, entretanto, deve levar em conta as trajetórias históricas, estruturas políticas, e condições sociais diferentes de cada um. Não se trata de reproduzir no Brasil o modelo de desenvolvimento chinês. No entanto, é preciso discutir o que aquela experiência revela sobre as condições necessárias para que um país de grandes dimensões construa capacidade produtiva, tecnológica e financeira própria e, ao mesmo tempo, amplie sua autonomia no sistema internacional.

A relação entre os dois países alcançou elevado nível de importância econômica e estratégica. A China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro, empresas chinesas ampliaram sua presença no país e os dois países participam de instituições como o BRICS e o NBB. Ao mesmo tempo, a estrutura das relações comerciais revela uma assimetria que não pode ser ignorada: o Brasil concentra parcela importante de suas exportações em commodities agrícolas, minerais e carnes, enquanto importa bens industriais de maior valor agregado.

Essa assimetria nas trocas não decorre exclusivamente das relações com a China. Ela está relacionada à própria trajetória da economia brasileira e ao processo de perda relativa de inovação e densidade industrial. Assim, uma das questões a considerar é como um país pode participar da economia mundial sem desenvolver uma dependência estrutural.

Leia o texto completo nos links:

https://cebrach.org/2026/09/01/o-que-o-brasil-pode-aprender-com-a-experiencia-chinesa/

https://grabois.org.br/2026/09/22/investimentos-chineses-brasil-nova-fase/

11 agosto, 2026

A longa marcha da modernização chinesa

 



Por Nilton Vasconcelos 

O lançamento da coletânea Seis Perspectivas da Modernização Chinesa – e, em particular, da edição dedicada à Perspectiva Ecológica –, por iniciativa da Fundação Maurício Grabois, retoma uma temática que não deve ser tratada como novidade passageira, mas que segue despertando curiosidade renovada, como de resto ocorre com quase tudo o que diz respeito à China contemporânea. Este texto parte da hipótese de que a modernização chinesa não é um episódio recente, circunscrito ao mandato de Xi Jinping, e sim um processo iniciado há mais tempo, e que somente uma perspectiva de longo prazo permite compreendê-la como aquilo que realmente é – uma estratégia chinesa de desenvolvimento, deliberada, cumulativa e adaptada a cada conjuntura histórica, e não uma resposta emergencial ou um conjunto de metas de ocasião.

Para sustentar esse argumento, é necessário recuperar a trajetória do processo modernizador chinês e as referências que remontam às iniciativas de renovação e de rejuvenescimento da sociedade chinesa que antecedem em quase um século a fundação da República Popular.

Leia o artigo completo no Cebrach:https://cebrach.org/2026/08/03/a-longa-marcha-da-modernizacao-chinesa/ 

Fonte: Centro de Estudos Avançados Brasil-China (Cebrach). Texto original publicado em 3 de agosto de 2026.




Publicado também no site Resistência em 9 de agosto

https://resistencia.cc/2026/08/09/a-longa-marcha-da-modernizacao-chinesa/

Publicado também no site Brasil247 em 12 de agosto

https://www.brasil247.com/ideias/a-longa-marcha-da-modernizacao-chinesa/

Publicado no Portal Grabois em 1º de setembro

https://grabois.org.br/2026/09/01/modernizacao-chinesa-caminho-proprio/


28 abril, 2026

A História da SETRE

 


Em 2013, por ocasião dos 47 anos de criação da SETRE foi lançada a publicação SETRE, Memória, Trajetória e História, que visou resgatar elementos históricos da criação da Secretaria, apresentar um registro dos secretários que ocuparam a pasta, apresentar as políticas públicas desenvolvidas à época e homenagear servidores que atuaram ou ainda atuavam na instituição.

A íntegra da publicação pode ser baixada aqui 

60 anos da SETRE

Ex-Secretários de Estado do Trabalho homenageados 

Comemorou-se nesta segunda-feira, 27 de abril, os 60 anos de criação da Secretaria do Trabalho Emprego Renda e Esporte do Estado da Bahia. Criada como Setrabes - Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social, posteriormente denominada SETRAS - Secretaria do Trabalho e Assistência, esta secretaria foi fruto da Reforma Administrativa de 1966. Esta reforma ocorrida já com a vigência do golpe militar de 1964, foi iniciativa do governo civil, eleito em 1962.

Foi um desdobramento de um processo iniciado na década anterior e que resultou no Plandeb - Plano de Desenvolvimento Econômico (1959-1962), na criação do CIA e do Polo Petroquímico, além de investimentos  Petrobras, da Chesf, refletindo na necessidade de mudanças da estrutura institucional do Estado.


23 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 5): da crise do marxismo à reconstrução da unidade


Vimos nos textos anteriormente publicados neste portal que a relação do PCdoB com a China socialista não foi linear nem estática, mas marcada por aproximações, rupturas e reelaborações sucessivas, fortemente condicionadas pelo contexto do movimento comunista internacional. Nos primeiros momentos, a China revolucionária foi percebida como uma referência alternativa ao que o partido caracterizava como revisionismo soviético, especialmente após o XX Congresso do PCUS. Essa aproximação, contudo, foi acompanhada de tensões teóricas crescentes, sobretudo a partir do Grande Salto Adiante, da Revolução Cultural e, posteriormente, da política externa chinesa e da formulação da Teoria dos Três Mundos.

Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)

A partir do final dos anos 1960 e, com maior intensidade, ao longo das décadas de 1970 e 1980, o PCdoB passou a formular uma crítica sistemática ao que denominava “revisionismo chinês”, posição influenciada decisivamente pela interlocução com o Partido do Trabalho da Albânia e por uma leitura rigorosa do marxismo-leninismo clássico. Essa crítica não se limitava à política externa do Partido Comunista da China (PCCh) ou à aproximação com os Estados Unidos, mas incidia sobre questões centrais da teoria marxista: a luta de classes sob o socialismo, o papel do partido, a ditadura do proletariado e os limites da utilização de mecanismos de mercado. Na interpretação predominante naquele período, as reformas chinesas eram vistas como expressão de um processo de restauração capitalista em curso.

Essas posições refletiam o quadro mais amplo da crise do socialismo real, marcada pelo colapso da União Soviética, dos regimes do Leste Europeu e, finalmente, pela própria inflexão da Albânia socialista no início dos anos 1990. A dissolução dessas referências históricas produziu um abalo profundo nas bases teóricas e políticas do movimento comunista internacional e atingiu diretamente o PCdoB, que se viu compelido a revisar análises anteriores e a enfrentar o desafio de repensar o socialismo em novas condições históricas, num cenário marcado pela ofensiva ideológica do neoliberalismo.

Leia aqui o texto completo 

 

09 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 4): respostas comunistas após o colapso europeu

 

Por Nilton Vasconcelos 

A Queda do Muro de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, foi um acontecimento emblemático que simbolizou não apenas o colapso do socialismo na República Democrática Alemã (RDA), mas também na Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária e Romênia.

Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)

Na Albânia, o processo seguiu um roteiro particularmente dramático, marcado por revoltas estudantis, greves operárias, tentativa de derrubada da estátua de Stálin, êxodo em massa para a Itália e a Grécia, entre outros episódios de profunda instabilidade política e social. Em junho de 1990, milhares de albaneses, influenciados pela onda contrarrevolucionária, invadiram as embaixadas em busca de asilo; em novembro do ano seguinte, cerca de 27 mil albaneses tomaram navios rumo à Itália, em cenas de grande impacto simbólico. Anos depois, Nexhmije Hoxha, viúva de Enver Hoxha e destacada dirigente do Partido do Trabalho, analisou as circunstâncias que levaram à instalação de um regime anticomunista que desmontou as conquistas socialistas e subordinou o país aos interesses das potências ocidentais, atribuindo ao afastamento das posições marxistas-leninistas a causa essencial da derrota (HOXHA, 1998).


   O colapso do socialismo europeu e a crise do marxismo

Em outubro de 1990, João Amazonas reuniu-se com Ramiz Alia, então presidente albanês, ocasião em que discutiram a crise política em curso. Na sequência, Amazonas visitou o túmulo do amigo Enver Hoxha. Já no avião, em retorno ao Brasil, voltou-se para Renato Rabelo e afirmou “Olhe para baixo e se despeça. Esta será a última vez que veremos a Albânia” (BUONICORE, 2012). Este episódio revela não apenas a dramaticidade da situação, mas também a consciência do veterano comunista de que o mundo socialista – ou parte expressiva dele – encontrava-se em franco colapso. Diante dessa realidade, impunha-se ao PCdoB o desafio de enfrentar a nova conjuntura reafirmando a perspectiva socialista e definindo um norte político e estratégico.

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