Vimos nos textos anteriormente publicados neste portal que a relação do PCdoB com a China socialista não foi linear nem estática, mas marcada por aproximações, rupturas e reelaborações sucessivas, fortemente condicionadas pelo contexto do movimento comunista internacional. Nos primeiros momentos, a China revolucionária foi percebida como uma referência alternativa ao que o partido caracterizava como revisionismo soviético, especialmente após o XX Congresso do PCUS. Essa aproximação, contudo, foi acompanhada de tensões teóricas crescentes, sobretudo a partir do Grande Salto Adiante, da Revolução Cultural e, posteriormente, da política externa chinesa e da formulação da Teoria dos Três Mundos.
Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)A partir do final dos anos 1960 e, com maior intensidade, ao longo das décadas de 1970 e 1980, o PCdoB passou a formular uma crítica sistemática ao que denominava “revisionismo chinês”, posição influenciada decisivamente pela interlocução com o Partido do Trabalho da Albânia e por uma leitura rigorosa do marxismo-leninismo clássico. Essa crítica não se limitava à política externa do Partido Comunista da China (PCCh) ou à aproximação com os Estados Unidos, mas incidia sobre questões centrais da teoria marxista: a luta de classes sob o socialismo, o papel do partido, a ditadura do proletariado e os limites da utilização de mecanismos de mercado. Na interpretação predominante naquele período, as reformas chinesas eram vistas como expressão de um processo de restauração capitalista em curso.
Essas posições refletiam o quadro mais amplo da crise do socialismo real, marcada pelo colapso da União Soviética, dos regimes do Leste Europeu e, finalmente, pela própria inflexão da Albânia socialista no início dos anos 1990. A dissolução dessas referências históricas produziu um abalo profundo nas bases teóricas e políticas do movimento comunista internacional e atingiu diretamente o PCdoB, que se viu compelido a revisar análises anteriores e a enfrentar o desafio de repensar o socialismo em novas condições históricas, num cenário marcado pela ofensiva ideológica do neoliberalismo.
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