16 outubro, 2026

Planejamento e mercado na China: como o Estado orienta os investimentos



Um dos elementos-chave do socialismo com características chinesas é o modelo de planejamento econômico e a dinâmica que tem contribuído para o cumprimento das metas nele estabelecidas, envolvendo não apenas o setor público mas também o setor privado. A definição das metas e o seu monitoramento abrangem variáveis macroeconômicas básicas, como juros, inflação, câmbio e emprego, mas também os investimentos nos setores prioritários, regiões do país, tecnologias e infraestruturas, em função dos objetivos estratégicos. Como o modelo evita que o mercado atue de forma a determinar um rumo para a economia diferente daquele pretendido pelo Estado? Como orienta os investimentos privados para os setores que correspondam às diretrizes do desenvolvimento estabelecidas no planejamento estatal?

Essas questões dizem respeito ao próprio conceito chinês de socialismo e ao papel que cabe ao Estado e ao mercado. As metas são construídas com participação da sociedade, do setor público e privado, bem como consultas diretas à população. Isso, porém, não é suficiente. A implementação das metas exige instrumentos capazes de estimular a convergência dos esforços para o seu cumprimento, sobretudo pelo setor privado. Neste aspecto é que se destaca a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), responsável pela coordenação do planejamento econômico e social, formulação de objetivos estratégicos e acompanhamento de sua execução. A capacidade de transformar os objetivos do planejamento em decisões concretas de investimento depende, portanto, da atuação coordenada de diferentes instituições, com atribuições específicas na formulação das políticas econômicas, na supervisão das empresas estatais e na regulação dos mercados.


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07 outubro, 2026

Carros elétricos chineses podem modernizar a indústria brasileira?


O Brasil tornou-se um dos principais destinos dos investimentos chineses. No texto anterior analisamos a extensão e a diversificação dessas inversões em variados setores da economia, especialmente a indústria automobilística. Neste texto, a pergunta que orienta a análise é outra: a expansão das importações e da produção local está, de fato, promovendo a internalização da cadeia produtiva de veículos elétricos no país, ou se reproduz um padrão histórico de inserção subordinada? A resposta, como se verá, é que os investimentos chineses criam uma oportunidade real, mas seu aproveitamento depende de escolhas de política industrial que o Brasil ainda não fez de forma consistente.

Transição para a mobilidade elétrica

A expansão mundial da indústria de veículos elétricos resulta da combinação de diferentes fatores: a necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa, a transformação tecnológica da indústria automobilística, o avanço das políticas de transição energética e a crescente competição geoeconômica pelo domínio das cadeias produtivas de baterias, semicondutores, equipamentos elétricos e veículos eletrificados.

A China chegou à liderança desse processo depois de décadas de planejamento industrial, investimento público e privado em pesquisa e desenvolvimento e construção de cadeias produtivas integradas. A escala do seu mercado interno permitiu reduzir custos, acelerar a inovação e formar empresas capazes de competir internacionalmente em baterias, veículos elétricos e componentes associados.

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25 setembro, 2026

Investimentos chineses no Brasil entram em nova fase

 


A relação econômica entre China e Brasil cresceu substancialmente nas últimas duas décadas. No comércio exterior, a China passou a ocupar, em 2004, a posição de terceiro principal parceiro comercial do Brasil e, cinco anos depois, superou os EUA, consolidando-se como o maior parceiro comercial do Brasil, posição que mantém desde então. Diferentemente do saldo negativo obtido com o comércio bilateral com os EUA, com a China a balança foi amplamente superavitária nos últimos 20 anos.

A expansão das relações comerciais, entretanto, não eliminou uma assimetria estrutural que permanece como um dos principais desafios da relação bilateral. A pauta brasileira de exportações continua fortemente concentrada em commodities agrícolas, minerais e produtos pecuários, enquanto as importações provenientes da China possuem maior participação de bens manufaturados e de produtos de maior conteúdo tecnológico, entre eles máquinas e equipamentos, produtos eletrônicos, veículos eletrificados e produtos químicos.

A superação dessa assimetria está diretamente relacionada à capacidade brasileira de ampliar sua base produtiva e tecnológica, elevando sua participação em segmentos industriais de maior valor agregado.

Além do crescimento do comércio, os investimentos chineses no Brasil também registraram significativa expansão a partir de 2010. Em 2025, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o Brasil tornou-se o principal destino dos investimentos chineses no exterior, recebendo 6,1 bilhões de dólares em novos aportes.

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01 setembro, 2026

O que o Brasil pode aprender com a experiência chinesa?

 


                                                                                        Por Nilton Vasconcelos 

Os extraordinários êxitos da China nas últimas décadas – na industrialização, na incorporação de tecnologias, na infraestrutura, no comércio exterior, na redução da pobreza e na elevação do padrão de vida – fazem daquele país uma indiscutível referência de desenvolvimento. Esses avanços foram conquistados em poucas décadas e alteraram profundamente a posição da China na economia e na política mundial.

Este artigo se propõe a discutir qual aprendizado o Brasil pode obter com a experiência daquele país asiático.

A comparação entre China e Brasil, entretanto, deve levar em conta as trajetórias históricas, estruturas políticas, e condições sociais diferentes de cada um. Não se trata de reproduzir no Brasil o modelo de desenvolvimento chinês. No entanto, é preciso discutir o que aquela experiência revela sobre as condições necessárias para que um país de grandes dimensões construa capacidade produtiva, tecnológica e financeira própria e, ao mesmo tempo, amplie sua autonomia no sistema internacional.

A relação entre os dois países alcançou elevado nível de importância econômica e estratégica. A China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro, empresas chinesas ampliaram sua presença no país e os dois países participam de instituições como o BRICS e o NBB. Ao mesmo tempo, a estrutura das relações comerciais revela uma assimetria que não pode ser ignorada: o Brasil concentra parcela importante de suas exportações em commodities agrícolas, minerais e carnes, enquanto importa bens industriais de maior valor agregado.

Essa assimetria nas trocas não decorre exclusivamente das relações com a China. Ela está relacionada à própria trajetória da economia brasileira e ao processo de perda relativa de inovação e densidade industrial. Assim, uma das questões a considerar é como um país pode participar da economia mundial sem desenvolver uma dependência estrutural.

Leia o texto completo nos links:

https://cebrach.org/2026/09/01/o-que-o-brasil-pode-aprender-com-a-experiencia-chinesa/

https://grabois.org.br/2026/09/22/investimentos-chineses-brasil-nova-fase/

11 agosto, 2026

A longa marcha da modernização chinesa

 



Por Nilton Vasconcelos 

O lançamento da coletânea Seis Perspectivas da Modernização Chinesa – e, em particular, da edição dedicada à Perspectiva Ecológica –, por iniciativa da Fundação Maurício Grabois, retoma uma temática que não deve ser tratada como novidade passageira, mas que segue despertando curiosidade renovada, como de resto ocorre com quase tudo o que diz respeito à China contemporânea. Este texto parte da hipótese de que a modernização chinesa não é um episódio recente, circunscrito ao mandato de Xi Jinping, e sim um processo iniciado há mais tempo, e que somente uma perspectiva de longo prazo permite compreendê-la como aquilo que realmente é – uma estratégia chinesa de desenvolvimento, deliberada, cumulativa e adaptada a cada conjuntura histórica, e não uma resposta emergencial ou um conjunto de metas de ocasião.

Para sustentar esse argumento, é necessário recuperar a trajetória do processo modernizador chinês e as referências que remontam às iniciativas de renovação e de rejuvenescimento da sociedade chinesa que antecedem em quase um século a fundação da República Popular.

Leia o artigo completo no Cebrach:https://cebrach.org/2026/08/03/a-longa-marcha-da-modernizacao-chinesa/ 

Fonte: Centro de Estudos Avançados Brasil-China (Cebrach). Texto original publicado em 3 de agosto de 2026.




Publicado também no site Resistência em 9 de agosto

https://resistencia.cc/2026/08/09/a-longa-marcha-da-modernizacao-chinesa/

Publicado também no site Brasil247 em 12 de agosto

https://www.brasil247.com/ideias/a-longa-marcha-da-modernizacao-chinesa/

Publicado no Portal Grabois em 1º de setembro

https://grabois.org.br/2026/09/01/modernizacao-chinesa-caminho-proprio/


28 abril, 2026

A História da SETRE

 


Em 2013, por ocasião dos 47 anos de criação da SETRE foi lançada a publicação SETRE, Memória, Trajetória e História, que visou resgatar elementos históricos da criação da Secretaria, apresentar um registro dos secretários que ocuparam a pasta, apresentar as políticas públicas desenvolvidas à época e homenagear servidores que atuaram ou ainda atuavam na instituição.

A íntegra da publicação pode ser baixada aqui 

60 anos da SETRE

Ex-Secretários de Estado do Trabalho homenageados 

Comemorou-se nesta segunda-feira, 27 de abril, os 60 anos de criação da Secretaria do Trabalho Emprego Renda e Esporte do Estado da Bahia. Criada como Setrabes - Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social, posteriormente denominada SETRAS - Secretaria do Trabalho e Assistência, esta secretaria foi fruto da Reforma Administrativa de 1966. Esta reforma ocorrida já com a vigência do golpe militar de 1964, foi iniciativa do governo civil, eleito em 1962.

Foi um desdobramento de um processo iniciado na década anterior e que resultou no Plandeb - Plano de Desenvolvimento Econômico (1959-1962), na criação do CIA e do Polo Petroquímico, além de investimentos  Petrobras, da Chesf, refletindo na necessidade de mudanças da estrutura institucional do Estado.


23 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 5): da crise do marxismo à reconstrução da unidade


Vimos nos textos anteriormente publicados neste portal que a relação do PCdoB com a China socialista não foi linear nem estática, mas marcada por aproximações, rupturas e reelaborações sucessivas, fortemente condicionadas pelo contexto do movimento comunista internacional. Nos primeiros momentos, a China revolucionária foi percebida como uma referência alternativa ao que o partido caracterizava como revisionismo soviético, especialmente após o XX Congresso do PCUS. Essa aproximação, contudo, foi acompanhada de tensões teóricas crescentes, sobretudo a partir do Grande Salto Adiante, da Revolução Cultural e, posteriormente, da política externa chinesa e da formulação da Teoria dos Três Mundos.

Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)

A partir do final dos anos 1960 e, com maior intensidade, ao longo das décadas de 1970 e 1980, o PCdoB passou a formular uma crítica sistemática ao que denominava “revisionismo chinês”, posição influenciada decisivamente pela interlocução com o Partido do Trabalho da Albânia e por uma leitura rigorosa do marxismo-leninismo clássico. Essa crítica não se limitava à política externa do Partido Comunista da China (PCCh) ou à aproximação com os Estados Unidos, mas incidia sobre questões centrais da teoria marxista: a luta de classes sob o socialismo, o papel do partido, a ditadura do proletariado e os limites da utilização de mecanismos de mercado. Na interpretação predominante naquele período, as reformas chinesas eram vistas como expressão de um processo de restauração capitalista em curso.

Essas posições refletiam o quadro mais amplo da crise do socialismo real, marcada pelo colapso da União Soviética, dos regimes do Leste Europeu e, finalmente, pela própria inflexão da Albânia socialista no início dos anos 1990. A dissolução dessas referências históricas produziu um abalo profundo nas bases teóricas e políticas do movimento comunista internacional e atingiu diretamente o PCdoB, que se viu compelido a revisar análises anteriores e a enfrentar o desafio de repensar o socialismo em novas condições históricas, num cenário marcado pela ofensiva ideológica do neoliberalismo.

Leia aqui o texto completo 

 

09 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 4): respostas comunistas após o colapso europeu

 

Por Nilton Vasconcelos 

A Queda do Muro de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, foi um acontecimento emblemático que simbolizou não apenas o colapso do socialismo na República Democrática Alemã (RDA), mas também na Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária e Romênia.

Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)

Na Albânia, o processo seguiu um roteiro particularmente dramático, marcado por revoltas estudantis, greves operárias, tentativa de derrubada da estátua de Stálin, êxodo em massa para a Itália e a Grécia, entre outros episódios de profunda instabilidade política e social. Em junho de 1990, milhares de albaneses, influenciados pela onda contrarrevolucionária, invadiram as embaixadas em busca de asilo; em novembro do ano seguinte, cerca de 27 mil albaneses tomaram navios rumo à Itália, em cenas de grande impacto simbólico. Anos depois, Nexhmije Hoxha, viúva de Enver Hoxha e destacada dirigente do Partido do Trabalho, analisou as circunstâncias que levaram à instalação de um regime anticomunista que desmontou as conquistas socialistas e subordinou o país aos interesses das potências ocidentais, atribuindo ao afastamento das posições marxistas-leninistas a causa essencial da derrota (HOXHA, 1998).


   O colapso do socialismo europeu e a crise do marxismo

Em outubro de 1990, João Amazonas reuniu-se com Ramiz Alia, então presidente albanês, ocasião em que discutiram a crise política em curso. Na sequência, Amazonas visitou o túmulo do amigo Enver Hoxha. Já no avião, em retorno ao Brasil, voltou-se para Renato Rabelo e afirmou “Olhe para baixo e se despeça. Esta será a última vez que veremos a Albânia” (BUONICORE, 2012). Este episódio revela não apenas a dramaticidade da situação, mas também a consciência do veterano comunista de que o mundo socialista – ou parte expressiva dele – encontrava-se em franco colapso. Diante dessa realidade, impunha-se ao PCdoB o desafio de enfrentar a nova conjuntura reafirmando a perspectiva socialista e definindo um norte político e estratégico.

Leia aqui o texto completo

02 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 3): crítica ideológica em tempos de crise do socialismo

Os posicionamentos do Partido Comunista do Brasil diante das transformações na China, da crise soviética e da inflexão da Albânia no debate internacional sobre o socialismo
  

NIlton Vasconcelos

Neste texto, que integra o estudo sobre as relações entre o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista da China (PCCh), avançamos na análise de um período marcado pelo acirramento das críticas às concepções teóricas de Mao Zedong e à política de aproximação do PCCh com os Estados Unidos. O desenvolvimento das relações políticas e econômicas entre China e EUA, intensificado após a visita do presidente Richard Nixon a Pequim, em 1972, estabeleceu um quadro inédito no movimento comunista internacional. Esse processo ocorreu no mesmo período em que os Estados Unidos sofreram uma derrota histórica no Vietnã, com a queda de Saigon em 30 de abril de 1975. 

Em 1979, chineses e estadunidenses estabeleceram relações diplomáticas plenas, com o reconhecimento da República Popular da China (RPC) como única representante legítima do país, substituindo Taiwan nas Nações Unidas. Na sequência, tiveram início as reformas econômicas conduzidas sob a liderança de Deng Xiaoping, caracterizadas pela abertura ao investimento estrangeiro, pela introdução de mecanismos de mercado e pela crescente inserção da China na economia global. 


No Brasil, o mesmo período foi marcado por profundas transformações políticas. A Lei da Anistia, promulgada em 1979, possibilitou o retorno das lideranças que se encontravam no exílio. As eleições gerais de 1982 e a campanha das Diretas Já, em 1984, compuseram o processo de transição que culminaria no fim da ditadura e na abertura de uma nova fase de redemocratização, simbolizada pela eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985.​

26 janeiro, 2026

PCdoB e China socialista: divergências ideológicas no movimento comunista internacional

Deng Xiaoping (China), Leonid Brezhnev (União Soviética) e Nicolae Ceaușescu (Romênia) durante o 9º Congresso do Partido Comunista da Romênia, realizado em Bucareste, em julho de 1965, encontro que reuniu lideranças de diferentes correntes do movimento comunista internacional. Crédito: Fototeca IICCR / via Wikimedia Commons (CC BY)


O PC DO BRASIL E A CHINA SOCIALISTA – PARTE II

Como visto na primeira parte deste estudo, profundas divergências abalaram o movimento comunista internacional a partir do XX Congresso do PCUS, em 1956, quando a nova liderança soviética denunciou Stálin e aprovou teses que alteravam de forma significativa a compreensão então predominante sobre a construção do socialismo. Essas mudanças tiveram forte impacto na organização dos comunistas brasileiros, culminando na reorganização do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Encerrava-se, assim, uma primeira fase das relações entre os comunistas brasileiros e o Partido Comunista Chinês (PCCh), ainda incipientes e fortemente marcadas pelo predomínio da influência soviética.

A cisão no movimento comunista internacional

Neste contexto, um importante encontro realizado em Moscou, em novembro de 1960, após a explicitação pública das divergências – especialmente entre a União Soviética e a China –, resultou na “Declaração da Conferência dos 81 Partidos Comunistas e Operários”, publicada na íntegra pelo jornal  Novos Rumos, edição nº 94, de dezembro de 1960. O documento expressava o objetivo de preservar a unidade do movimento comunista internacional em torno de uma estratégia comum de enfrentamento ao imperialismo.

Havia, naquele momento, um clima de entusiasmo com o crescimento da influência internacional do campo socialista, que reunia, além da URSS e China, diversos países do Leste Europeu e também na Ásia, na África e no Caribe. Apesar das divergências já existentes, a Declaração propunha a busca da unidade dos partidos comunistas contra o revisionismo, priorizando a paz, posicionava-se contra a guerra nuclear e na defesa da coexistência pacífica entre os sistemas sociais distintos.

, Leia o texto completo aqui

22 janeiro, 2026

Marxismo Ocidental - você sabe o que é?

 

Assista uma brevissima introdução ao conceito de Marxismo Ocidental.
Assista o vídeo integral (8 min) clicando aqui

19 janeiro, 2026

O PCdoB e a China socialista



Em artigo publicado recentemente neste Portal, abordei a crítica à chamada Teoria dos Três Mundos formulada por Mao Zedong, especialmente a partir do livro de autoria do grande dirigente comunista João Amazonas, em 1981. As relações entre os comunistas chineses e brasileiros, entretanto, remontam ao ano de 1953, quando se deu o primeiro intercâmbio entre o PC da China e o Partido Comunista do Brasil (à época sob a sigla PCB), seguido de muitos encontros após a reestruturação do partido, até os dias atuais.

Podem ser estabelecidos três períodos distintos nessas relações. O primeiro estende-se até 1962, em um contexto marcado pela hegemonia política e ideológica da União Soviética no movimento comunista internacional, hegemonia essa crescentemente questionada após o XX Congresso do PCUS. O segundo período vai de 1963, ano da visita de João Amazonas à China, até 1992, quando da realização do 8º Congresso do PCdoB. O terceiro tem início em 1993 e se estende até os nossos dias, caracterizando-se por uma reavaliação sistemática das experiências internacionais de construção do socialismo, em especial a chinesa.

Na primeira fase, destaca-se a visita do Secretário Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Luís Carlos Prestes, à China, em 1959, quando foi recebido por Mao Zedong durante as solenidades comemorativas do décimo o aniversário da Revolução Chinesa de 1949.

A edição no. 33 do jornal Novos Rumos, órgão oficial do PCB, publicado em outubro de 1959, trazia como manchete a notícia do voo de uma aeronave soviética que alcançara uma órbita próxima à Lua e retornara com sucesso à órbita terrestre, feito apresentado como grande realização do socialismo. Na mesma edição, eram destacadas as comemorações pelo décimo aniversário da República Popular da China, exaltando-se as conquistas no curto espaço de tempo, bem como a “aliança e amizade inquebrantáveis” entre a URSS e a China. Lideranças comunistas de todo o mundo participaram das celebrações, entre elas o então primeiro-secretário do Comitê Central do PCUS, Nikita Kruschev.


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