02 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 3): crítica ideológica em tempos de crise do socialismo

Os posicionamentos do Partido Comunista do Brasil diante das transformações na China, da crise soviética e da inflexão da Albânia no debate internacional sobre o socialismo
  

NIlton Vasconcelos

Neste texto, que integra o estudo sobre as relações entre o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista da China (PCCh), avançamos na análise de um período marcado pelo acirramento das críticas às concepções teóricas de Mao Zedong e à política de aproximação do PCCh com os Estados Unidos. O desenvolvimento das relações políticas e econômicas entre China e EUA, intensificado após a visita do presidente Richard Nixon a Pequim, em 1972, estabeleceu um quadro inédito no movimento comunista internacional. Esse processo ocorreu no mesmo período em que os Estados Unidos sofreram uma derrota histórica no Vietnã, com a queda de Saigon em 30 de abril de 1975. 

Em 1979, chineses e estadunidenses estabeleceram relações diplomáticas plenas, com o reconhecimento da República Popular da China (RPC) como única representante legítima do país, substituindo Taiwan nas Nações Unidas. Na sequência, tiveram início as reformas econômicas conduzidas sob a liderança de Deng Xiaoping, caracterizadas pela abertura ao investimento estrangeiro, pela introdução de mecanismos de mercado e pela crescente inserção da China na economia global. 


No Brasil, o mesmo período foi marcado por profundas transformações políticas. A Lei da Anistia, promulgada em 1979, possibilitou o retorno das lideranças que se encontravam no exílio. As eleições gerais de 1982 e a campanha das Diretas Já, em 1984, compuseram o processo de transição que culminaria no fim da ditadura e na abertura de uma nova fase de redemocratização, simbolizada pela eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985.​