Um dos conceitos mais controvertidos do campo do socialismo no século XX foi o dos Três Mundos, desenvolvido por Mao Zedong e expresso por Deng Xiaoping em discurso pronunciado na Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, quando este chefiava a delegação chinesa. Embora não exista obra sistemática dedicada especificamente a essa formulação, apresentada à época com o status de teoria, seus fundamentos encontram-se em entrevistas de Mao Zedong, bem como em documentos e textos partidários do Partido Comunista da China.
Formulação da Teoria dos Três Mundos18 dezembro, 2025
Teoria dos Três Mundos expressa contradições do socialismo no século XX
15 dezembro, 2025
Da Ford à BYD: novo paradigma produtivo reorganiza a cadeia automotiva

Essa foi a expectativa com a implantação da Ford em Camaçari (Bahia), no início dos anos 2000, concebida com base no modelo de condomínio industrial, que integrava fornecedores próximos à linha de montagem, privilegiava a produção modular e a coordenação logística para ganhos de eficiência. Duas décadas depois, a chegada da BYD ao mesmo local representa não apenas a substituição de um ator econômico, mas um salto tecnológico e produtivo: a fabricação de veículos elétricos exige o redesenho das cadeias de fornecimento, especialmente no que tange a componentes críticos, como baterias e motores elétricos.
Essas formas de organização da produção tendem a produzir impactos distintos nas regiões em que são implantadas, e o poder público precisa planejar os passos seguintes de maneira a aproveitar todo o potencial. Esse planejamento deve ir além da simples atração de investimentos, buscando integrar essas novas plantas industriais – como no caso da BYD – a uma estratégia nacional de reindustrialização orientada pela transição energética e digital. Isso implica criar mecanismos de cooperação tecnológica, incentivar fornecedores locais em segmentos de eletrônica e software, e articular universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento em torno da nova cadeia automotiva elétrica.
28 outubro, 2025
Socialismo chinês e a força dos planos quinquenais no desenvolvimento nacional
Com metas seculares e resultados consistentes, a China mostra que planejar com visão socialista é construir o futuro com soberania e continuidade
O 20º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) realizou sua quarta sessão plenária em Pequim, entre os dias 20 e 23 de outubro de 2025. Foto: Xinhua/Ding Haitao
O SOCIALISMO COM CARACTERÍSTICAS CHINESAS: O PAPEL DOS PLANOS QUINQUENAISO Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCH) esteve reunido entre 20 e 23 de outubro para avaliar as principais conquistas de desenvolvimento do país durante o período do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) e deliberar sobre a formulação do 15º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social. A partir de seis princípios orientadores, o debate e o detalhamento das propostas seguem num processo que culminará com a deliberação final das chamadas “Duas Sessões” – as reuniões anuais do Congresso Nacional do Povo (CNP) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), previstas para março de 2026.
Planejamento Chinês: Da CCPPC ao Novo Plano Quinquenal
Para ler o texto completo clique aqui
24 outubro, 2025
BYD no Brasil: modernização tecnológica e retrocesso trabalhista
A instalação da primeira fábrica de veículos elétricos da América Latina simboliza avanço tecnológico, mas expõe problemas nas relações de trabalho e tensões com a representação sindical
Presidente Lula na área da linha de montagem de veículos durante a inauguração da fábrica da BYD. Na foto, além do presidente brasileiro, estão o presidente mundial da empresa, Wang Chuanfu, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, trabalhadores, ministros e políticos baianos. Polo Petroquímico de Camaçari (BA), 09/10/2025. Foto: Ricardo Stuckert / PR. A inauguração da montadora de veículos elétricos BYD na cidade de Camaçari, Bahia, em 9 de outubro de 2025, contou com a participação do presidente Lula, do governador Jerônimo, do prefeito de Camaçari Luís Caetano, do presidente mundial da BYD Wang Chuanfu, além de muitas outras autoridades e representações empresariais. Também se fez presente o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que já havia apresentado reclamações quanto às relações entre empresa e trabalhadores.
O evento foi saudado pela importância da retomada da indústria automotiva na Bahia, após a saída da Ford, em 2021, e também por ser a primeira fábrica de veículos elétricos da América Latina. A cerimônia foi marcada pelo anúncio da intenção de ampliar a produção para até 600 mil veículos/ano, associada a planos de comercialização no mercado internacional. A nova unidade fabril também é representativa da perspectiva de modernização industrial e de desenvolvimento tecnológico pretendidos pelo governo federal.
A modernização dos processos produtivos e dos produtos industriais, contudo, não tem sido acompanhada pela modernização das relações de trabalho, o que pode representar um importante obstáculo. Se é verdade que os embates são normais nas relações entre trabalhadores e empregadores, é preciso garantir que o espaço para a negociação e o respeito à organização dos trabalhadores sejam mantidos.
03 outubro, 2025
Tríplice Representatividade e socialismo de mercado na China
16 setembro, 2025
Trabalho e multilateralismo: OIT enfrenta crise e ameaça de retrocessos globais
A passagem do século XIX para o XX foi marcada por extrema exploração da força de trabalho e ausência quase total de direitos trabalhistas, numa fase de grande expansão capitalista e acirramento das contradições sociais.
A Segunda Revolução Industrial ampliou a concentração urbana e expôs milhões de trabalhadores a jornadas exaustivas, ambientes insalubres, mutilações e acidentes, além de doenças ocupacionais, sem qualquer proteção ao trabalhador ou forma de indenização aos vitimados. O quadro era agravado por baixos salários, trabalho infantil, superexploração das mulheres e inexistência de garantias mínimas, como seguro-desemprego, aposentadoria ou licença médica. Greves e sindicatos eram proibidos e reprimidos violentamente.
A Primeira Guerra Mundial acentuou essa situação. O “fantasma do comunismo” continuava a rondar a Europa – epicentro dos acontecimentos e principal palco da guerra. A Revolução Soviética repercutia em toda a parte, aumentando o receio das classes dominantes de que os trabalhadores se rebelassem contra condições tão degradantes.
O nascimento da OIT e as primeiras conquistasNeste contexto, quando a Conferência de Paz de Paris (1919) discutiu um novo arranjo para a ordem mundial, a temática do trabalho ganhou importante destaque, expresso na criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como parte integrante do Tratado de Versalhes, que pôs fim ao conflito.
Segundo o discurso prevalecente na Conferência, para alcançar uma paz duradoura no pós-guerra seria necessária uma mudança nas condições de trabalho, capaz de alterar o quadro de injustiça, sofrimento e privação das famílias operárias. A manutenção daquele cenário, entendia-se, poderia resultar em forte agitação política, colocando em risco a “paz e a harmonia” mundiais.

Secretariado da Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Washington (EUA), entre outubro e novembro de 1919, em frente ao Pan American Building. Entre os presentes, Ernest Greenwood (delegado norte-americano) e Harold B. Butler (primeiro secretário-geral da OIT). Foto: Schutz Group Photographers / Biblioteca do Congresso dos EUA, Domínio Público.
Texto completo aqui
03 setembro, 2025
Crise da governança global: China apresenta IGG como alternativa
Em todo o mundo havia festas nas ruas, embora predominasse um misto de alegria e tristeza. Alívio, pelo fim das notícias de bombardeios, de confrontos intermináveis, devastação e deslocamentos em massa. Mas também tristeza pelas 60 milhões de vidas perdidas de militares e civis, pelo horror do Holocausto e das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, pelos milhões de mutilados e feridos e com o drama dos refugiados.
Leia também:
Resistência ao esquecimento e ao negacionismo, 80 anos após a guerra
Há 80 anos terminava a Segunda Guerra — e o Ocidente ainda não aprendeu a lição
Ao mesmo tempo, surgia grande expectativa: a reconstrução das cidades e das economias, a promoção dos direitos humanos, a melhoria das condições sociais e, sobretudo, a esperança de uma convivência pacífica entre os povos, sustentada na criação de mecanismos capazes de evitar novos conflitos. Foi neste contexto que, em outubro de 1945, apenas um mês após a rendição do Japão e o fim da guerra, realizou-se em São Francisco (EUA) a conferência que resultaria na fundação das Nações Unidas. A Carta da ONU, assinada inicialmente por 50 países, estabeleceu as bases de um sistema internacional baseado na igualdade e soberania dos Estados, na proibição do uso da força, na cooperação para o desenvolvimento e na defesa dos direitos humanos, com as Nações Unidas no centro das questões de segurança internacional.
02 setembro, 2025
Resistência ao esquecimento e ao negacionismo, 80 anos após a guerra
27 agosto, 2025
STF coloca em foco a livre associação e o futuro do cooperativismo
Leia o artigo completo aqui
15 agosto, 2025
Partido Liberal, um partido nacional a serviço de interesses estrangeiros
13 agosto, 2025
Bombas atômicas dos EUA devastaram Hiroshima e Nagasaki há 80 anos
Desde então, o arsenal atômico foi multiplicado milhares de vezes, a ameaça nuclear se transformou em um estágio das negociações, um risco que tem se elevado com as tensões decorrentes do declínio relativo da grande potência norte-americana.
04 junho, 2025
Estatais seguem como eixo do socialismo de mercado na China
Setor privado e estatal no socialismo de mercado – A Lei de Promoção do Setor Privado da China, recentemente implementada, marca uma nova fase da “abertura e reforma” chinesa, iniciada com Deng Xiaoping e aprofundada por Xi Jinping. Atualmente, o setor privado contribui com mais de 60% do PIB e 80% do emprego urbano. A promoção desse setor associa-se à maior atração de investimentos externos, num contexto em que as empresas estrangeiras passaram a responder por 25% do produto industrial daquele país.
Essas
informações estimulam a discussão sobre uma eventual restauração capitalista na
China – processo que, segundo críticos do desenvolvimento chinês, teria
iniciado após a morte de Mao Tsé-Tung, há 50 anos.
Na teoria
marxista, o socialismo é apresentado como uma etapa inferior do comunismo, ou
ainda como um período político de transição para um outro modo de produção que
substituiria o capitalismo – o comunismo (Lênin, Estado e Revolução,
cap. 5). Essa etapa seria suficientemente prolongada para permitir o
desenvolvimento das forças produtivas e a superação das classes sociais, quando
não fará mais sentido a existência do Estado para o exercício da dominação de
classes.
Leia o texto completo aqui
03 maio, 2025
Como o socialismo incorporou o mercado ao longo da história
Nilton Vasconcelos
Os desafios econômicos da construção do socialismo - A nova guerra comercial desencadeada pelos EUA contra o mundo, especialmente contra a China — o país que historicamente defendeu o liberalismo econômico — impôs tarifas denominadas “recíprocas”, com o suposto objetivo de promover o desacoplamento entre as duas maiores economias do planeta. A China, por sua vez, defendeu o livre comércio, a estabilidade institucional e a abertura a investimentos externos, criticando as tentativas de intimidação por parte dos EUA. Além disso, promove a multipolaridade e parcerias estratégicas na perspectiva de um “futuro compartilhado para a humanidade”.Como chegamos a essa aparente inversão de posições no que diz respeito ao papel do mercado na economia? Na verdade, trata-se de uma inversão apenas aparente, pois o mercado sempre foi alvo de intervenções do Estado em diversas partes do mundo, com regras flexibilizadas conforme conveniências. Ainda assim, chama atenção o fato de que muitos empresários e investidores considerem a China um ambiente de negócios mais previsível, na atualidade, do que a principal potência ocidental.
Esse cenário nos estimula a retomar um debate antigo relacionado ao conceito de socialismo de mercado. Trata-se de refletir sobre a origem dessa abordagem e as experiências históricas que buscaram incorporar mecanismos de mercado em regimes socialistas, sob diferentes características e circunstâncias.
Embora hoje o conceito esteja frequentemente associado ao modelo chinês contemporâneo, suas raízes são um pouco mais antigas. A primeira experiência prática remete à criação da Nova Política Econômica (NEP), na União Soviética, implantada por Lênin, em 1921. Essa iniciativa foi motivada pelas dificuldades provocadas pelo esforço de guerra, quando foi introduzida a requisição de grãos — com o confisco de excedentes sem pagamento. Em resposta, os camponeses se recusavam a vender grãos aos preços fixados pelo Estado, exigindo em troca bens industriais, que eram escassos. Durante o comunismo de guerra, todas as fábricas foram nacionalizadas, o comércio privado foi proibido e adotou-se o racionamento de alimentos e bens.
As requisições agrícolas desestimularam a produção camponesa, e as colheitas caíram significativamente, levando à fome em larga escala. A produção industrial também caiu, e fábricas pararam por falta de matéria-prima e combustível. O rublo perdeu valor, transações passaram a ser feitas por escambo e, apesar da repressão, o mercado clandestino cresceu. Esse conjunto de fatores levou a um clima de descontentamento generalizado, com greves e revoltas.
A NEP reintroduziu elementos de economia de mercado para revitalizar a economia soviética. Permitiram-se a propriedade privada de pequenas empresas, o comércio livre e o lucro. A requisição forçada de grãos foi substituída por um imposto em produtos, permitindo a comercialização do excedente. A produção agrícola foi estimulada e viabilizou-se a iniciativa privada de pequena escala, ao mesmo tempo em que se buscou atrair investimentos externos.
Apesar do seu êxito inicial, a NEP passou a enfrentar novos problemas econômicos: elevação dos preços dos produtos industriais em relação aos agrícolas, retenção de grãos pelos camponeses mais ricos, queda nas exportações e limitação ao crescimento da indústria pesada. Com um cenário internacional cada vez mais complexo e ameaças de guerra, a URSS passou a buscar a autossuficiência na produção de alimentos e bens industriais. Esse processo levou a um modelo de economia planificada, com coletivização compulsória das propriedades do campo, industrialização acelerada e ampliação do controle estatal sobre a produção. Com o lançamento do Primeiro Plano Quinquenal, em 1928, a NEP foi encerrada.
Uma segunda experiência a considerar é a da Iugoslávia. O Partido Comunista assumiu o poder em decorrência da luta contra a invasão nazifascista. O movimento de resistência partisans, com o apoio do Exército Vermelho, estabeleceu um governo provisório entre 1944 e 1945.
Divergências dentro do movimento comunista internacional levaram à expulsão da Iugoslávia do Cominform, em 1948, impulsionando o partido iugoslavo a seguir o caminho denominado socialismo autogestionário. Empresas públicas passaram a ser geridas por conselhos de trabalhadores e competiam entre si num ambiente de mercado regulado. Ao contrário do modelo soviético de planejamento centralizado, a Iugoslávia implantou a autogestão empresarial sem renunciar ao controle político do Estado. As decisões sobre produção, salários e investimentos eram tomadas pelos próprios trabalhadores, dentro de certos marcos regulatórios definidos pelo governo. Essa descentralização permitia que o desempenho de uma empresa resultasse em sua expansão ou até mesmo em sua falência — algo típico das economias de mercado.
Nos anos 1960, o governo buscou atrair capitais estrangeiros, obter empréstimos internacionais e ampliar o comércio com economias ocidentais. Durante certo tempo, o modelo mostrou bons resultados: crescimento econômico, ganhos de produtividade e dinamismo interno. Mas as contradições não tardaram a emergir. Desequilíbrios regionais, endividamento externo crescente e pressão de organismos internacionais por reformas neoliberais fragilizaram o sistema. A morte do principal dirigente, o enfraquecimento do governo central e o avanço do nacionalismo étnico culminaram na fragmentação do país nos anos 1990 — e, com ela, o colapso da experiência autogestionária.
Na Hungria, o Partido Comunista chega ao poder no pós-guerra, em 1947. As principais medidas incluíam a estatização das grandes empresas e a coletivização no campo, com a formação de cooperativas. Após a insurreição de 1956, uma série de mudanças políticas e econômicas culminou na ruptura com os soviéticos e na implantação, em 1968, da Nova Mecânica Econômica, que introduziu autonomia relativa às empresas estatais para definir produção, investimentos e estabelecer preços. Também se permitiu a criação de pequenos empreendimentos privados e cooperativas, além de estimular o comércio com o Ocidente. Essa experiência se estendeu até 1989, culminando com o fim do regime socialista no ano seguinte.
Outra experiência a considerar: a Tchecoslováquia tornou-se uma democracia popular sob a direção do Partido Comunista em 1948, com o apoio da URSS. Na década de 1960, limitações do modelo de planejamento econômico centralizado, que vigorava desde os anos 1950 — baseado em metas de produção rígidas e foco na indústria pesada — resultaram em ineficiências, falta de inovação e baixa qualidade dos produtos. Reformas econômicas foram implantadas, reduzindo o controle estatal direto sobre empresas, permitindo que ajustassem preços e produção com base na demanda e estimulando a competição limitada entre empresas estatais.
Contudo, em 1968, a chamada Primavera de Praga foi interrompida pela invasão da URSS e de aliados do Pacto de Varsóvia, que derrubaram o governo reformista e restabeleceram o modelo de planejamento centralizado até o colapso do regime, em 1989.
É na China pós-Mao, sob o comando de Deng Xiaoping, que o socialismo de mercado se instala em maior escala. A criação das Zonas Econômicas Especiais, os incentivos à iniciativa privada, a abertura ao capital estrangeiro e a valorização do lucro como motor de produtividade transformaram a economia chinesa numa potência global.
Embora não adote oficialmente o termo “socialismo de mercado”, a China define seu modelo como “socialismo com características chinesas”. Isso implica combinar forte setor estatal, rígido controle político e sistema de planejamento centralizado com um setor privado dinâmico, que inclui empresas e marcas amplamente conhecidas internacionalmente.
O que pretendemos destacar com esse panorama, ainda que breve, é que a gestão econômica nas experiências socialistas buscou, em várias ocasiões, associar mecanismos de mercado à socialização dos meios de produção em setores estratégicos.
Essas tentativas geraram — e ainda geram — intensos debates dentro do próprio movimento comunista. A questão está, sem dúvida, associada ao problema da transição entre o modo de produção capitalista e o comunista. Com frequência, os comunistas projetaram o socialismo como uma etapa mais breve do que realmente se demonstrou.
Se Lênin via a NEP como um recuo estratégico para fortalecer as bases econômicas do socialismo, os chineses consideram que o mercado não apenas pode, mas deve ser uma ferramenta de dinamização econômica, utilizada por um período prolongado.
Nesse sentido, a economia política do socialismo permanece um tema atual e relevante, que deve continuar a ser objeto de estudo e debate em todo o mundo. Entre as questões a serem consideradas estão: o processo de transição socialista nos diferentes contextos históricos e graus de desenvolvimento das forças produtivas; as lições a serem tiradas das experiências históricas e as principais causas do retrocesso; a coexistência de formas de propriedade estatal, social e privada; a participação da sociedade na gestão das empresas e no planejamento econômico centralizado e descentralizado; a inserção do socialismo na economia capitalista global; e o papel do mercado nas experiências socialistas.
Estes são apenas alguns aspectos da temática geral do desenvolvimento da economia do socialismo, destacando que a economia é política — e que questões sobre a liderança do processo revolucionário, o grau de participação social e as mudanças na estrutura e no papel do Estado são igualmente relevantes.
14 abril, 2025
Socialismo de Mercado: como a China expande modelo econômico com abertura ao setor privado
03 março, 2025
Como protecionismo dos EUA e superprodução desafiam a economia chinesa
Dualidade do modelo chinês e a crise de superprodução relativa – Depois de se concentrar na produção de bens e serviços de alta tecnologia, adquirindo bens de consumo, de capital e matérias primas industriais de outras economias – especialmente China, Canadá, México, Japão e Alemanha – os Estados Unidos passaram a enfrentar déficits crescentes na balança comercial. No final de 2024, o saldo anual desfavorável entre exportações e importações atingiu a marca de 1,1 trilhão de dólares.
Leia o artigo completo:
https://grabois.org.br/2025/03/03/protecionismo-eua-superproducao-china-economia-global/
03 fevereiro, 2025
Como fragilidade do mercado de trabalho alimenta o trabalho escravo no Brasil
Casos recentes em vinícolas gaúchas, na confecção em São Paulo, na mineração e nas obras da fábrica da BYD na Bahia evidenciam o crescimento da exploração à medida que os direitos trabalhistas são enfraquecidos. Saiba como essa realidade persiste e o que pode ser feito para combatê-la
Promover o trabalho decente é uma estratégia adotada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a partir de 1999, e significa ter como meta que o trabalho seja adequadamente remunerado, exercido com liberdade, equidade, segurança e capaz de garantir uma vida digna. A busca pela melhoria das condições de trabalho e pela superação dos obstáculos que impedem a configuração de um ambiente propício ao trabalho decente, requer a definição de objetivos claros a serem alcançadas. A própria seleção das deficiências que devem estar prioritariamente na mira das políticas públicas visando à elevação da qualidade do trabalho, implica em realizar um diagnóstico do país, região ou da localidade onde se pretende desenvolver a política.
Leia a íntegra do texto:












