28 abril, 2026

A História da SETRE

 


Em 2013, por ocasião dos 47 anos de criação da SETRE foi lançada a publicação SETRE, Memória, Trajetória e História, que visou resgatar elementos históricos da criação da Secretaria, apresentar um registro dos secretários que ocuparam a pasta, apresentar as políticas públicas desenvolvidas à época e homenagear servidores que atuaram ou ainda atuavam na instituição.

A íntegra da publicação pode ser baixada aqui 

60 anos da SETRE

Ex-Secretários de Estado do Trabalho homenageados 

Comemorou-se nesta segunda-feira, 27 de abril, os 60 anos de criação da Secretaria do Trabalho Emprego Renda e Esporte do Estado da Bahia. Criada como Setrabes - Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social, posteriormente denominada SETRAS - Secretaria do Trabalho e Assistência, esta secretaria foi fruto da Reforma Administrativa de 1966. Esta reforma ocorrida já com a vigência do golpe militar de 1964, foi iniciativa do governo civil, eleito em 1962.

Foi um desdobramento de um processo iniciado na década anterior e que resultou no Plandeb - Plano de Desenvolvimento Econômico (1959-1962), na criação do CIA e do Polo Petroquímico, além de investimentos  Petrobras, da Chesf, refletindo na necessidade de mudanças da estrutura institucional do Estado.


23 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 5): da crise do marxismo à reconstrução da unidade


Vimos nos textos anteriormente publicados neste portal que a relação do PCdoB com a China socialista não foi linear nem estática, mas marcada por aproximações, rupturas e reelaborações sucessivas, fortemente condicionadas pelo contexto do movimento comunista internacional. Nos primeiros momentos, a China revolucionária foi percebida como uma referência alternativa ao que o partido caracterizava como revisionismo soviético, especialmente após o XX Congresso do PCUS. Essa aproximação, contudo, foi acompanhada de tensões teóricas crescentes, sobretudo a partir do Grande Salto Adiante, da Revolução Cultural e, posteriormente, da política externa chinesa e da formulação da Teoria dos Três Mundos.

Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)

A partir do final dos anos 1960 e, com maior intensidade, ao longo das décadas de 1970 e 1980, o PCdoB passou a formular uma crítica sistemática ao que denominava “revisionismo chinês”, posição influenciada decisivamente pela interlocução com o Partido do Trabalho da Albânia e por uma leitura rigorosa do marxismo-leninismo clássico. Essa crítica não se limitava à política externa do Partido Comunista da China (PCCh) ou à aproximação com os Estados Unidos, mas incidia sobre questões centrais da teoria marxista: a luta de classes sob o socialismo, o papel do partido, a ditadura do proletariado e os limites da utilização de mecanismos de mercado. Na interpretação predominante naquele período, as reformas chinesas eram vistas como expressão de um processo de restauração capitalista em curso.

Essas posições refletiam o quadro mais amplo da crise do socialismo real, marcada pelo colapso da União Soviética, dos regimes do Leste Europeu e, finalmente, pela própria inflexão da Albânia socialista no início dos anos 1990. A dissolução dessas referências históricas produziu um abalo profundo nas bases teóricas e políticas do movimento comunista internacional e atingiu diretamente o PCdoB, que se viu compelido a revisar análises anteriores e a enfrentar o desafio de repensar o socialismo em novas condições históricas, num cenário marcado pela ofensiva ideológica do neoliberalismo.

Leia aqui o texto completo 

 

09 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 4): respostas comunistas após o colapso europeu

 

Por Nilton Vasconcelos 

A Queda do Muro de Berlim, na noite de 9 de novembro de 1989, foi um acontecimento emblemático que simbolizou não apenas o colapso do socialismo na República Democrática Alemã (RDA), mas também na Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária e Romênia.

Leia mais: O PCdoB e a China socialista (Parte 1)

Na Albânia, o processo seguiu um roteiro particularmente dramático, marcado por revoltas estudantis, greves operárias, tentativa de derrubada da estátua de Stálin, êxodo em massa para a Itália e a Grécia, entre outros episódios de profunda instabilidade política e social. Em junho de 1990, milhares de albaneses, influenciados pela onda contrarrevolucionária, invadiram as embaixadas em busca de asilo; em novembro do ano seguinte, cerca de 27 mil albaneses tomaram navios rumo à Itália, em cenas de grande impacto simbólico. Anos depois, Nexhmije Hoxha, viúva de Enver Hoxha e destacada dirigente do Partido do Trabalho, analisou as circunstâncias que levaram à instalação de um regime anticomunista que desmontou as conquistas socialistas e subordinou o país aos interesses das potências ocidentais, atribuindo ao afastamento das posições marxistas-leninistas a causa essencial da derrota (HOXHA, 1998).


   O colapso do socialismo europeu e a crise do marxismo

Em outubro de 1990, João Amazonas reuniu-se com Ramiz Alia, então presidente albanês, ocasião em que discutiram a crise política em curso. Na sequência, Amazonas visitou o túmulo do amigo Enver Hoxha. Já no avião, em retorno ao Brasil, voltou-se para Renato Rabelo e afirmou “Olhe para baixo e se despeça. Esta será a última vez que veremos a Albânia” (BUONICORE, 2012). Este episódio revela não apenas a dramaticidade da situação, mas também a consciência do veterano comunista de que o mundo socialista – ou parte expressiva dele – encontrava-se em franco colapso. Diante dessa realidade, impunha-se ao PCdoB o desafio de enfrentar a nova conjuntura reafirmando a perspectiva socialista e definindo um norte político e estratégico.

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02 fevereiro, 2026

PCdoB e China socialista (Parte 3): crítica ideológica em tempos de crise do socialismo

Os posicionamentos do Partido Comunista do Brasil diante das transformações na China, da crise soviética e da inflexão da Albânia no debate internacional sobre o socialismo
  

NIlton Vasconcelos

Neste texto, que integra o estudo sobre as relações entre o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista da China (PCCh), avançamos na análise de um período marcado pelo acirramento das críticas às concepções teóricas de Mao Zedong e à política de aproximação do PCCh com os Estados Unidos. O desenvolvimento das relações políticas e econômicas entre China e EUA, intensificado após a visita do presidente Richard Nixon a Pequim, em 1972, estabeleceu um quadro inédito no movimento comunista internacional. Esse processo ocorreu no mesmo período em que os Estados Unidos sofreram uma derrota histórica no Vietnã, com a queda de Saigon em 30 de abril de 1975. 

Em 1979, chineses e estadunidenses estabeleceram relações diplomáticas plenas, com o reconhecimento da República Popular da China (RPC) como única representante legítima do país, substituindo Taiwan nas Nações Unidas. Na sequência, tiveram início as reformas econômicas conduzidas sob a liderança de Deng Xiaoping, caracterizadas pela abertura ao investimento estrangeiro, pela introdução de mecanismos de mercado e pela crescente inserção da China na economia global. 


No Brasil, o mesmo período foi marcado por profundas transformações políticas. A Lei da Anistia, promulgada em 1979, possibilitou o retorno das lideranças que se encontravam no exílio. As eleições gerais de 1982 e a campanha das Diretas Já, em 1984, compuseram o processo de transição que culminaria no fim da ditadura e na abertura de uma nova fase de redemocratização, simbolizada pela eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985.​

26 janeiro, 2026

PCdoB e China socialista: divergências ideológicas no movimento comunista internacional

Deng Xiaoping (China), Leonid Brezhnev (União Soviética) e Nicolae Ceaușescu (Romênia) durante o 9º Congresso do Partido Comunista da Romênia, realizado em Bucareste, em julho de 1965, encontro que reuniu lideranças de diferentes correntes do movimento comunista internacional. Crédito: Fototeca IICCR / via Wikimedia Commons (CC BY)


O PC DO BRASIL E A CHINA SOCIALISTA – PARTE II

Como visto na primeira parte deste estudo, profundas divergências abalaram o movimento comunista internacional a partir do XX Congresso do PCUS, em 1956, quando a nova liderança soviética denunciou Stálin e aprovou teses que alteravam de forma significativa a compreensão então predominante sobre a construção do socialismo. Essas mudanças tiveram forte impacto na organização dos comunistas brasileiros, culminando na reorganização do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Encerrava-se, assim, uma primeira fase das relações entre os comunistas brasileiros e o Partido Comunista Chinês (PCCh), ainda incipientes e fortemente marcadas pelo predomínio da influência soviética.

A cisão no movimento comunista internacional

Neste contexto, um importante encontro realizado em Moscou, em novembro de 1960, após a explicitação pública das divergências – especialmente entre a União Soviética e a China –, resultou na “Declaração da Conferência dos 81 Partidos Comunistas e Operários”, publicada na íntegra pelo jornal  Novos Rumos, edição nº 94, de dezembro de 1960. O documento expressava o objetivo de preservar a unidade do movimento comunista internacional em torno de uma estratégia comum de enfrentamento ao imperialismo.

Havia, naquele momento, um clima de entusiasmo com o crescimento da influência internacional do campo socialista, que reunia, além da URSS e China, diversos países do Leste Europeu e também na Ásia, na África e no Caribe. Apesar das divergências já existentes, a Declaração propunha a busca da unidade dos partidos comunistas contra o revisionismo, priorizando a paz, posicionava-se contra a guerra nuclear e na defesa da coexistência pacífica entre os sistemas sociais distintos.

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22 janeiro, 2026

Marxismo Ocidental - você sabe o que é?

 

Assista uma brevissima introdução ao conceito de Marxismo Ocidental.
Assista o vídeo integral (8 min) clicando aqui

19 janeiro, 2026

O PCdoB e a China socialista



Em artigo publicado recentemente neste Portal, abordei a crítica à chamada Teoria dos Três Mundos formulada por Mao Zedong, especialmente a partir do livro de autoria do grande dirigente comunista João Amazonas, em 1981. As relações entre os comunistas chineses e brasileiros, entretanto, remontam ao ano de 1953, quando se deu o primeiro intercâmbio entre o PC da China e o Partido Comunista do Brasil (à época sob a sigla PCB), seguido de muitos encontros após a reestruturação do partido, até os dias atuais.

Podem ser estabelecidos três períodos distintos nessas relações. O primeiro estende-se até 1962, em um contexto marcado pela hegemonia política e ideológica da União Soviética no movimento comunista internacional, hegemonia essa crescentemente questionada após o XX Congresso do PCUS. O segundo período vai de 1963, ano da visita de João Amazonas à China, até 1992, quando da realização do 8º Congresso do PCdoB. O terceiro tem início em 1993 e se estende até os nossos dias, caracterizando-se por uma reavaliação sistemática das experiências internacionais de construção do socialismo, em especial a chinesa.

Na primeira fase, destaca-se a visita do Secretário Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Luís Carlos Prestes, à China, em 1959, quando foi recebido por Mao Zedong durante as solenidades comemorativas do décimo o aniversário da Revolução Chinesa de 1949.

A edição no. 33 do jornal Novos Rumos, órgão oficial do PCB, publicado em outubro de 1959, trazia como manchete a notícia do voo de uma aeronave soviética que alcançara uma órbita próxima à Lua e retornara com sucesso à órbita terrestre, feito apresentado como grande realização do socialismo. Na mesma edição, eram destacadas as comemorações pelo décimo aniversário da República Popular da China, exaltando-se as conquistas no curto espaço de tempo, bem como a “aliança e amizade inquebrantáveis” entre a URSS e a China. Lideranças comunistas de todo o mundo participaram das celebrações, entre elas o então primeiro-secretário do Comitê Central do PCUS, Nikita Kruschev.


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18 dezembro, 2025

Teoria dos Três Mundos expressa contradições do socialismo no século XX




 Deng Xiaoping discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, durante o debate sobre matérias-primas e desenvolvimento, no contexto da Guerra Fria. Foto: UN Photo / Yutaka Nagata

Um dos conceitos mais controvertidos do campo do socialismo no século XX foi o dos Três Mundos, desenvolvido por Mao Zedong e expresso por Deng Xiaoping em discurso pronunciado na Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, quando este chefiava a delegação chinesa. Embora não exista obra sistemática dedicada especificamente a essa formulação, apresentada à época com o status de teoria, seus fundamentos encontram-se em entrevistas de Mao Zedong, bem como em documentos e textos partidários do Partido Comunista da China.

Formulação da Teoria dos Três Mundos 

Segundo essa concepção, o Primeiro Mundo seria constituído pelas duas grandes potências econômicas e militares – os Estados Unidos e a União Soviética; o Segundo Mundo, pelas potências capitalistas desenvolvidas da Europa e pelo Japão; e o Terceiro Mundo, pela esmagadora maioria dos países em desenvolvimento ou de desenvolvimento atrasado, cujas soberanias estariam ameaçadas pela ação das potências pertencentes às duas primeiras categorias. A China se incluía, portanto, no Terceiro Mundo, ao lado dos países da Ásia, África e América Latina.

15 dezembro, 2025

Da Ford à BYD: novo paradigma produtivo reorganiza a cadeia automotiva

Chegada da montadora de carros elétricos chinesa impulsiona mudanças estruturais, redefinindo competências, fornecedores e exigindo novas estratégias de desenvolvimento industrial
Módulo do motor utilizado no sistema híbrido da BYD, exibido durante visita técnica à futura fábrica em Camaçari (BA), 02/12/2024. Foto: Thuane Maria/GOVBA.


Políticas públicas de atração de investimentos normalmente envolvem concessões fiscais, na forma de isenção total ou parcial de tributos, benefícios na aquisição de terrenos para construção de unidades fabris, ações de qualificação profissional e, eventualmente, facilidades no acesso a portos e à estrutura rodoferroviária. A justificativa para oferecer essas vantagens é a expectativa de retorno na forma de impostos, instalação de fornecedores nas proximidades e geração de empregos.
Essa foi a expectativa com a implantação da Ford em Camaçari (Bahia), no início dos anos 2000, concebida com base no modelo de condomínio industrial, que integrava fornecedores próximos à linha de montagem, privilegiava a produção modular e a coordenação logística para ganhos de eficiência. Duas décadas depois, a chegada da BYD ao mesmo local representa não apenas a substituição de um ator econômico, mas um salto tecnológico e produtivo: a fabricação de veículos elétricos exige o redesenho das cadeias de fornecimento, especialmente no que tange a componentes críticos, como baterias e motores elétricos.
Essas formas de organização da produção tendem a produzir impactos distintos nas regiões em que são implantadas, e o poder público precisa planejar os passos seguintes de maneira a aproveitar todo o potencial. Esse planejamento deve ir além da simples atração de investimentos, buscando integrar essas novas plantas industriais – como no caso da BYD – a uma estratégia nacional de reindustrialização orientada pela transição energética e digital. Isso implica criar mecanismos de cooperação tecnológica, incentivar fornecedores locais em segmentos de eletrônica e software, e articular universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento em torno da nova cadeia automotiva elétrica.


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12 novembro, 2025

Da Ford à BYD em Camaçari

 

                                                                                                      Nilton Vasconcelos* 

implantação da Ford em Camaçari, no início dos anos 2000, foi concebida com base no modelo de condomínio industrial, privilegiando a produção modular e a coordenação logística para ganhos de eficiência. Duas décadas depois, a chegada da BYD ao mesmo local representa também alterações significativas na tecnologia e na organização da produção.

A transição do motor a combustão para a propulsão elétrica altera radicalmente a estrutura da cadeia automotiva. A nova configuração amplia a relevância de insumos associados à eletrônica, baterias e semicondutores, redefinindo o papel e o perfil dos fornecedores – tanto em conteúdo tecnológico quanto em requisitos de capital e pesquisa e desenvolvimento (P&D).

O modelo da Ford privilegiava a proximidade física dos fornecedores para viabilizar a entrega de componentes no tempo necessário e redução de estoques, além de representar menores investimentos em ativos fixos por parte da montadora. Era, no entanto, sujeito a interrupções de fornecimento e limitado para incorporação de ganhos provenientes de tecnologias emergentes.

A BYD envolve pesados investimentos na produção de veículos elétricos, com intenção declarada de fabricar localmente componentes estratégicos – de início, no entanto, realiza-se apenas o processo final, a partir de partes semidesmontadas importadas. A principal característica da BYD é a integração vertical de componentes críticos, embora adote uma cadeia de fornecimento híbrida, em função de insumos externos de menor sensibilidade tecnológica.

Quanto ao modelo produtivo, a BYD retoma a lógica de controle interno sobre etapas produtivas estratégicas com objetivos e meios distintos: a verticalização contemporânea da BYD é orientada pelo controle tecnológico e pela gestão de riscos em uma cadeia de valor globalizada e volátil.

Desse modo, a presença da BYD tem o potencial de estimular desenvolvimento de competências locais avançadas. No entanto, a concentração interna da produção de componentes críticos implica que parcela substancial do conteúdo tecnológico e de alto valor agregado permanecerá centralizada na montadora ou em suas controladas. Essa dinâmica gera desafios significativos para as estratégias locais de desenvolvimento industrial, demandando políticas públicas voltadas para a qualificação profissional e incentivos a fornecedores capazes de integrar segmentos de eletrônica e software.

Essa configuração tem implicações cruciais para as políticas industriais e para a formação de uma base de fornecedores locais. A experiência de Camaçari ilustra, assim, não apenas a substituição de uma montadora por outra, mas a passagem para um novo paradigma produtivo, no qual a integração tecnológica torna-se central para a reindustrialização de economias como a brasileira.

*Diretor do Centro de Estudos Avançados Brasil China (Cebrach.org)

Texto integral publicado no portal do jornal A Tarde: https://atarde.com.br/artigos/da-ford-a-byd-em-camacari-1368233

28 outubro, 2025

Socialismo chinês e a força dos planos quinquenais no desenvolvimento nacional

 Com metas seculares e resultados consistentes, a China mostra que planejar com visão socialista é construir o futuro com soberania e continuidade

O 20º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) realizou sua quarta sessão plenária em Pequim, entre os dias 20 e 23 de outubro de 2025. Foto: Xinhua/Ding Haitao

O SOCIALISMO COM CARACTERÍSTICAS CHINESAS: O PAPEL DOS PLANOS QUINQUENAIS

O Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCH) esteve reunido entre 20 e 23 de outubro para avaliar as principais conquistas de desenvolvimento do país durante o período do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) e deliberar sobre a formulação do 15º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social. A partir de seis princípios orientadores, o debate e o detalhamento das propostas seguem num processo que culminará com a deliberação final das chamadas “Duas Sessões” – as reuniões anuais do Congresso Nacional do Povo (CNP) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), previstas para março de 2026. 

 Planejamento Chinês: Da CCPPC ao Novo Plano Quinquenal 

O processo de elaboração dos planos resulta de análises e proposições coordenadas pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), que consolida sugestões com base em contribuições de ministérios, especialistas, empresas e governos locais, além de consultas abertas ao público. Enquanto a maioria dos países do mundo segue um modo errático de planejamento econômico – fazendo, refazendo e desfazendo o que foi feito antes, ao sabor dos ventos do mercado e dos interesses das elites dominantes, alguns países optam por outro caminho. 

Planejamento estatal e continuidade histórica 

Este caminho alternativo foi aberto pela revolução soviética e na atualidade com características próprias é adotado por Cuba, Laos, Coreia do Norte, Vietnã e China, todos orientados por perspectivas específicas de socialismo. Uma das políticas que os distingue das economias capitalistas é justamente o planejamento centralizado conduzido pelo Estado, com metas quinquenais e estratégias de desenvolvimento de longo prazo.

Para ler o texto completo clique aqui


24 outubro, 2025

BYD no Brasil: modernização tecnológica e retrocesso trabalhista

 A instalação da primeira fábrica de veículos elétricos da América Latina simboliza avanço tecnológico, mas expõe problemas nas relações de trabalho e tensões com a representação sindical


Presidente Lula na área da linha de montagem de veículos durante a inauguração da fábrica da BYD. Na foto, além do presidente brasileiro, estão o presidente mundial da empresa, Wang Chuanfu, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, trabalhadores, ministros e políticos baianos. Polo Petroquímico de Camaçari (BA), 09/10/2025. Foto: Ricardo Stuckert / PR.

A inauguração da montadora de veículos elétricos BYD na cidade de Camaçari, Bahia, em 9 de outubro de 2025, contou com a participação do presidente Lula, do governador Jerônimo, do prefeito de Camaçari Luís Caetano, do presidente mundial da BYD Wang Chuanfu, além de muitas outras autoridades e representações empresariais. Também se fez presente o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que já havia apresentado reclamações quanto às relações entre empresa e trabalhadores.
O evento foi saudado pela importância da retomada da indústria automotiva na Bahia, após a saída da Ford, em 2021, e também por ser a primeira fábrica de veículos elétricos da América Latina. A cerimônia foi marcada pelo anúncio da intenção de ampliar a produção para até 600 mil veículos/ano, associada a planos de comercialização no mercado internacional. A nova unidade fabril também é representativa da perspectiva de modernização industrial e de desenvolvimento tecnológico pretendidos pelo governo federal.
A modernização dos processos produtivos e dos produtos industriais, contudo, não tem sido acompanhada pela modernização das relações de trabalho, o que pode representar um importante obstáculo. Se é verdade que os embates são normais nas relações entre trabalhadores e empregadores, é preciso garantir que o espaço para a negociação e o respeito à organização dos trabalhadores sejam mantidos.

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03 outubro, 2025

Tríplice Representatividade e socialismo de mercado na China


Trabalhadoras em fábrica têxtil voltada para mercados internacionais, na província de Shandong, China. Foto: Xinhua/Guo Xulei


No discurso proferido durante o desfile em comemoração dos 80 anos da vitória da resistência chinesa à agressão japonesa e da vitória na Segunda Guerra Mundial, Xi Jinping – presidente da República Popular da China (RPC), secretário-geral do Partido Comunista e presidente da Comissão Militar Central (CMC) – destacou o dever dos chineses de defender o Partido, o marxismo-leninismo, o pensamento Mao Zedong, o pensamento Deng Xiaoping, o conceito de Desenvolvimento Científico e a teoria da Tríplice Representatividade. 

Da Revolução à abertura: etapas do pensamento socialista na China 

Cada uma dessas formulações corresponde a um estágio da elaboração teórica do socialismo na China, a partir de Mao Zedong – “O Grande Timoneiro” líder da revolução, fundador e primeiro presidente da RPC, que conduziu o país na fase inicial da construção socialista, inspirando-se nas ideias do marxismo-leninismo. Deng Xiaoping, embora não tenha sido presidente nem Secretário-Geral do PCCh, exerceu grande liderança entre 1978 e 1993, especialmente como presidente da CMC. Coube a ele formular e implementar a política de Abertura e Reforma, base teórica para o socialismo com características chinesas, e definir como principal tarefa do socialismo o desenvolvimento das forças produtivas.

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16 setembro, 2025

Trabalho e multilateralismo: OIT enfrenta crise e ameaça de retrocessos globais

Cortes e ataques liderados por Trump enfraquecem a ONU e a OIT, colocando em risco avanços históricos na proteção social e no combate à exploração do trabalho.

No início do seu segundo mandato, Donald Trump assinou diversas ordens executivas. Entre elas, em 4 de fevereiro de 2025, determinou a retirada dos Estados Unidos de certas organizações da ONU, encerrou seu financiamento e ordenou a revisão do apoio norte-americano a organismos internacionais. Foto: The White House / Flickr

A passagem do século XIX para o XX foi marcada por extrema exploração da força de trabalho e ausência quase total de direitos trabalhistas, numa fase de grande expansão capitalista e acirramento das contradições sociais.

A Segunda Revolução Industrial ampliou a concentração urbana e expôs milhões de trabalhadores a jornadas exaustivas, ambientes insalubres, mutilações e acidentes, além de doenças ocupacionais, sem qualquer proteção ao trabalhador ou forma de indenização aos vitimados. O quadro era agravado por baixos salários, trabalho infantil, superexploração das mulheres e inexistência de garantias mínimas, como seguro-desemprego, aposentadoria ou licença médica. Greves e sindicatos eram proibidos e reprimidos violentamente.

A Primeira Guerra Mundial  acentuou essa situação. O “fantasma do comunismo” continuava a rondar a Europa – epicentro dos acontecimentos e principal palco da guerra. A Revolução Soviética repercutia em toda a parte, aumentando o receio das classes dominantes de que os trabalhadores se rebelassem contra condições tão degradantes.

O nascimento da OIT e as primeiras conquistas
Neste contexto, quando a Conferência de Paz de Paris (1919) discutiu um novo arranjo para a ordem mundial, a temática do trabalho ganhou importante destaque, expresso na criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como parte integrante do Tratado de Versalhes, que pôs fim ao conflito.

Segundo o discurso prevalecente na Conferência, para alcançar uma paz duradoura no pós-guerra seria necessária uma mudança nas condições de trabalho, capaz de alterar o quadro de injustiça, sofrimento e privação das famílias operárias. A manutenção daquele cenário, entendia-se, poderia resultar em forte agitação política, colocando em risco a “paz e a harmonia” mundiais.

Secretariado da Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Washington (EUA), entre outubro e novembro de 1919, diante do Pan American Building. A conferência marcou a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no contexto do pós-Primeira Guerra Mundial. Foto: Schutz Group Photographers / Biblioteca do Congresso dos EUA, Domínio Público

Secretariado da Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Washington (EUA), entre outubro e novembro de 1919, em frente ao Pan American Building. Entre os presentes, Ernest Greenwood (delegado norte-americano) e Harold B. Butler (primeiro secretário-geral da OIT). Foto: Schutz Group Photographers / Biblioteca do Congresso dos EUA, Domínio Público.


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03 setembro, 2025

Crise da governança global: China apresenta IGG como alternativa


Londres, agosto de 1945 — civis e militares celebram em Piccadilly Circus a vitória dos países que lutaram contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial. Foto: Ministério da Informação do Reino Unido / Imperial War Museum – Domínio Público.

Alfred Eisenstaedt, em sua famosa fotografia, capturada na Times Square, conhecida como O Beijo da Vitória, registra um marinheiro beijando uma jovem mulher em 14 de agosto de 1945. Como este há outros tantos momentos marcantes que simbolizam o fim da Segunda Guerra Mundial.
Em todo o mundo havia festas nas ruas, embora predominasse um misto de alegria e tristeza. Alívio, pelo fim das notícias de bombardeios, de confrontos intermináveis, devastação e deslocamentos em massa. Mas também tristeza pelas 60 milhões de vidas perdidas de militares e civis, pelo horror do Holocausto e das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, pelos milhões de mutilados e feridos e com o drama dos refugiados.
Leia também:
Resistência ao esquecimento e ao negacionismo, 80 anos após a guerra
Há 80 anos terminava a Segunda Guerra — e o Ocidente ainda não aprendeu a lição
Ao mesmo tempo, surgia grande expectativa: a reconstrução das cidades e das economias, a promoção dos direitos humanos, a melhoria das condições sociais e, sobretudo, a esperança de uma convivência pacífica entre os povos, sustentada na criação de mecanismos capazes de evitar novos conflitos. Foi neste contexto que, em outubro de 1945, apenas um mês após a rendição do Japão e o fim da guerra, realizou-se em São Francisco (EUA) a conferência que resultaria na fundação das Nações Unidas. A Carta da ONU, assinada inicialmente por 50 países, estabeleceu as bases de um sistema internacional baseado na igualdade e soberania dos Estados, na proibição do uso da força, na cooperação para o desenvolvimento e na defesa dos direitos humanos, com as Nações Unidas no centro das questões de segurança internacional.


02 setembro, 2025

Resistência ao esquecimento e ao negacionismo, 80 anos após a guerra

Filme Dead To Rights, que retrata o Massacre de Nanquim durante a Segunda Guerra Mundial, lidera as bilheteiras de verão na China, arrecadando mais de 1,5 bilhão de yuans (cerca de 210 milhões de dólares) em apenas dez dias desde a estreia, em 25 de julho de 2025. Foto: Zhu Weixi/Xinhua


RESISTÊNCIA AO ESQUECIMENTO E AO NEGACIONISMO 
Dead to Rights (Luz na Escuridão) é um sucesso de bilheteria na China, já começou a ser exibido em outros países e tem lançamento previsto em streaming para o final do ano. O enredo, ambientado no contexto do Massacre de Nanquim de 1937, atrai o público interessado em conhecer mais sobre a resistência chinesa durante a ocupação japonesa. O drama acompanha a vida de chineses que buscam refúgio em um estúdio fotográfico, enquanto lutam pela sobrevivência e arriscam suas vidas para obter imagens das atrocidades cometidas. Mais do que entretenimento, o filme integra o esforço de dar projeção a fatos marcantes, porém pouco evidenciados ou frequentemente distorcidos, desse período histórico na Ásia. Esse resgate ganha especial relevância neste 3 de setembro, quando se celebram em Pequim os 80 anos da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Mundial Antifascista. Leia mais: China celebra 80 anos do fim da Segunda Guerra em vitória sobre o Japão Da invasão da Manchúria à rendição japonesa em 1945 O conflito teve o seu desfecho em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assinou sua rendição formal, encerrando a Segunda Guerra Mundial e a agressão contra a China, que havia começado 14 anos antes. Tudo começou com a anexação da Manchúria” pelo Japão, em 1931, que marca o início deste período da ocupação nipônica. Na época, a China estava fragilizada pelas Guerras do Ópio e suas consequências, sendo forçada a permitir a ocupação britânica e francesa de parte de seus territórios continentais e a conceder outros privilégios a potências estrangeiras, além da cessão de Hong Kong como indenização de guerra. O Japão, em contraste, vinha de um período de grande desenvolvimento econômico na segunda metade do século XIX, estabeleceu uma política expansionista, que levou à estruturação de uma poderosa força militar. A partir da Manchúria, os japoneses avançaram em diversas frentes, mesmo sem uma declaração de guerra formal. Assim, houve muitos enfrentamentos com o exército chinês, que culminaram com a tomada de Pequim em julho de 1937. Em seguida, Xangai e Nanquim, então capital da China, foram ocupadas.

27 agosto, 2025

STF coloca em foco a livre associação e o futuro do cooperativismo



Cooperativismo e o direito à livre associação – Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) causou preocupação em um segmento do cooperativismo brasileiro, em particular o das cooperativas da agricultura familiar e da economia solidária. Aquela Corte reconheceu a constitucionalidade da exigência de registro das cooperativas na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). A decisão foi tomada no âmbito de um caso específico relacionado a uma cooperativa do setor de transportes, ficando assim obrigada a cooperativa a ter registro na OCB, mesmo já registrada na Junta Comercial e na Receita Federal.

Apesar da decisão não ser vinculante para todas as organizações cooperativas, retoma a discussão sobre o direito da livre associação, previsto na Constituição Brasileira. Para compreender melhor a questão, faço uma breve referência à trajetória da organização das entidades nacionais de representação das cooperativas.

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15 agosto, 2025

Partido Liberal, um partido nacional a serviço de interesses estrangeiros



Grande parte da sociedade brasileira tem se manifestado contra as medidas tarifárias impostas ao Brasil pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Essas medidas que poderão comprometer o emprego, as exportações e a produção do país, são completamente ilegítimas à medida que esse comércio bilateral é vantajoso para eles, levando por terra o argumento de que os EUA seriam prejudicados nas trocas comerciais com o Brasil. 
Ao mesmo tempo, o governo estadunidense argumenta que a Justiça brasileira estaria perseguindo um aliado do presidente norte-americano, numa intromissão sem limites à soberania nacional brasileira. Além das medidas tarifárias, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que votaram por dar seguimento ao processo que apura os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado, após as eleições de 2022, tiveram seus vistos de entrada nos EUA cancelados, e o ministro relator, Alexandre de Moraes, teve a “morte financeira” decretada. 

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13 agosto, 2025

Bombas atômicas dos EUA devastaram Hiroshima e Nagasaki há 80 anos



Um clarão silencioso rasga o céu
Há vinte anos, meu pai me presenteou com um livro que reencontrei recentemente na estante, por coincidência quando se completam 80 anos daquele que é o maior crime de guerra já perpetrado, levando à morte 210 mil pessoas, civis na imensa maioria. morreram de imediato ou nos anos seguintes em decorrência dos efeitos da radiação nuclear. Próximo ao epicentro, as pessoas foram dizimadas pelas ondas de choque, de fogo, calor intenso e de irradiação. Os que se encontravam um pouco mais distantes e que não morreram de imediato, nos dias, meses e anos seguintes, morreram pelas queimaduras, por lesões pulmonares, danos aos ouvidos, hemorragias internas e danos psicológicos. Um quadro dantesco, sobre o qual se evita falar das minúcias, do impacto sobre aquelas pessoas, restando a análise do fato histórico e do contexto geopolítico.

Desde então, o arsenal atômico foi multiplicado milhares de vezes, a ameaça nuclear se transformou em um estágio das negociações, um risco que tem se elevado com as tensões decorrentes do declínio relativo da grande potência norte-americana.


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