22 janeiro, 2026

Marxismo Ocidental - você sabe o que é?

 

Assista uma brevissima introdução ao conceito de Marxismo Ocidental.
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19 janeiro, 2026

O PCdoB e a China socialista



Em artigo publicado recentemente neste Portal, abordei a crítica à chamada Teoria dos Três Mundos formulada por Mao Zedong, especialmente a partir do livro de autoria do grande dirigente comunista João Amazonas, em 1981. As relações entre os comunistas chineses e brasileiros, entretanto, remontam ao ano de 1953, quando se deu o primeiro intercâmbio entre o PC da China e o Partido Comunista do Brasil (à época sob a sigla PCB), seguido de muitos encontros após a reestruturação do partido, até os dias atuais.

Podem ser estabelecidos três períodos distintos nessas relações. O primeiro estende-se até 1962, em um contexto marcado pela hegemonia política e ideológica da União Soviética no movimento comunista internacional, hegemonia essa crescentemente questionada após o XX Congresso do PCUS. O segundo período vai de 1963, ano da visita de João Amazonas à China, até 1992, quando da realização do 8º Congresso do PCdoB. O terceiro tem início em 1993 e se estende até os nossos dias, caracterizando-se por uma reavaliação sistemática das experiências internacionais de construção do socialismo, em especial a chinesa.

Na primeira fase, destaca-se a visita do Secretário Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Luís Carlos Prestes, à China, em 1959, quando foi recebido por Mao Zedong durante as solenidades comemorativas do décimo o aniversário da Revolução Chinesa de 1949.

A edição no. 33 do jornal Novos Rumos, órgão oficial do PCB, publicado em outubro de 1959, trazia como manchete a notícia do voo de uma aeronave soviética que alcançara uma órbita próxima à Lua e retornara com sucesso à órbita terrestre, feito apresentado como grande realização do socialismo. Na mesma edição, eram destacadas as comemorações pelo décimo aniversário da República Popular da China, exaltando-se as conquistas no curto espaço de tempo, bem como a “aliança e amizade inquebrantáveis” entre a URSS e a China. Lideranças comunistas de todo o mundo participaram das celebrações, entre elas o então primeiro-secretário do Comitê Central do PCUS, Nikita Kruschev.


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18 dezembro, 2025

Teoria dos Três Mundos expressa contradições do socialismo no século XX




 Deng Xiaoping discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, durante o debate sobre matérias-primas e desenvolvimento, no contexto da Guerra Fria. Foto: UN Photo / Yutaka Nagata

Um dos conceitos mais controvertidos do campo do socialismo no século XX foi o dos Três Mundos, desenvolvido por Mao Zedong e expresso por Deng Xiaoping em discurso pronunciado na Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, quando este chefiava a delegação chinesa. Embora não exista obra sistemática dedicada especificamente a essa formulação, apresentada à época com o status de teoria, seus fundamentos encontram-se em entrevistas de Mao Zedong, bem como em documentos e textos partidários do Partido Comunista da China.

Formulação da Teoria dos Três Mundos 

Segundo essa concepção, o Primeiro Mundo seria constituído pelas duas grandes potências econômicas e militares – os Estados Unidos e a União Soviética; o Segundo Mundo, pelas potências capitalistas desenvolvidas da Europa e pelo Japão; e o Terceiro Mundo, pela esmagadora maioria dos países em desenvolvimento ou de desenvolvimento atrasado, cujas soberanias estariam ameaçadas pela ação das potências pertencentes às duas primeiras categorias. A China se incluía, portanto, no Terceiro Mundo, ao lado dos países da Ásia, África e América Latina.

15 dezembro, 2025

Da Ford à BYD: novo paradigma produtivo reorganiza a cadeia automotiva

Chegada da montadora de carros elétricos chinesa impulsiona mudanças estruturais, redefinindo competências, fornecedores e exigindo novas estratégias de desenvolvimento industrial
Módulo do motor utilizado no sistema híbrido da BYD, exibido durante visita técnica à futura fábrica em Camaçari (BA), 02/12/2024. Foto: Thuane Maria/GOVBA.


Políticas públicas de atração de investimentos normalmente envolvem concessões fiscais, na forma de isenção total ou parcial de tributos, benefícios na aquisição de terrenos para construção de unidades fabris, ações de qualificação profissional e, eventualmente, facilidades no acesso a portos e à estrutura rodoferroviária. A justificativa para oferecer essas vantagens é a expectativa de retorno na forma de impostos, instalação de fornecedores nas proximidades e geração de empregos.
Essa foi a expectativa com a implantação da Ford em Camaçari (Bahia), no início dos anos 2000, concebida com base no modelo de condomínio industrial, que integrava fornecedores próximos à linha de montagem, privilegiava a produção modular e a coordenação logística para ganhos de eficiência. Duas décadas depois, a chegada da BYD ao mesmo local representa não apenas a substituição de um ator econômico, mas um salto tecnológico e produtivo: a fabricação de veículos elétricos exige o redesenho das cadeias de fornecimento, especialmente no que tange a componentes críticos, como baterias e motores elétricos.
Essas formas de organização da produção tendem a produzir impactos distintos nas regiões em que são implantadas, e o poder público precisa planejar os passos seguintes de maneira a aproveitar todo o potencial. Esse planejamento deve ir além da simples atração de investimentos, buscando integrar essas novas plantas industriais – como no caso da BYD – a uma estratégia nacional de reindustrialização orientada pela transição energética e digital. Isso implica criar mecanismos de cooperação tecnológica, incentivar fornecedores locais em segmentos de eletrônica e software, e articular universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento em torno da nova cadeia automotiva elétrica.


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28 outubro, 2025

Socialismo chinês e a força dos planos quinquenais no desenvolvimento nacional

 Com metas seculares e resultados consistentes, a China mostra que planejar com visão socialista é construir o futuro com soberania e continuidade

O 20º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) realizou sua quarta sessão plenária em Pequim, entre os dias 20 e 23 de outubro de 2025. Foto: Xinhua/Ding Haitao

O SOCIALISMO COM CARACTERÍSTICAS CHINESAS: O PAPEL DOS PLANOS QUINQUENAIS

O Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCH) esteve reunido entre 20 e 23 de outubro para avaliar as principais conquistas de desenvolvimento do país durante o período do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) e deliberar sobre a formulação do 15º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social. A partir de seis princípios orientadores, o debate e o detalhamento das propostas seguem num processo que culminará com a deliberação final das chamadas “Duas Sessões” – as reuniões anuais do Congresso Nacional do Povo (CNP) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), previstas para março de 2026. 

 Planejamento Chinês: Da CCPPC ao Novo Plano Quinquenal 

O processo de elaboração dos planos resulta de análises e proposições coordenadas pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), que consolida sugestões com base em contribuições de ministérios, especialistas, empresas e governos locais, além de consultas abertas ao público. Enquanto a maioria dos países do mundo segue um modo errático de planejamento econômico – fazendo, refazendo e desfazendo o que foi feito antes, ao sabor dos ventos do mercado e dos interesses das elites dominantes, alguns países optam por outro caminho. 

Planejamento estatal e continuidade histórica 

Este caminho alternativo foi aberto pela revolução soviética e na atualidade com características próprias é adotado por Cuba, Laos, Coreia do Norte, Vietnã e China, todos orientados por perspectivas específicas de socialismo. Uma das políticas que os distingue das economias capitalistas é justamente o planejamento centralizado conduzido pelo Estado, com metas quinquenais e estratégias de desenvolvimento de longo prazo.

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24 outubro, 2025

BYD no Brasil: modernização tecnológica e retrocesso trabalhista

 A instalação da primeira fábrica de veículos elétricos da América Latina simboliza avanço tecnológico, mas expõe problemas nas relações de trabalho e tensões com a representação sindical


Presidente Lula na área da linha de montagem de veículos durante a inauguração da fábrica da BYD. Na foto, além do presidente brasileiro, estão o presidente mundial da empresa, Wang Chuanfu, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, trabalhadores, ministros e políticos baianos. Polo Petroquímico de Camaçari (BA), 09/10/2025. Foto: Ricardo Stuckert / PR.

A inauguração da montadora de veículos elétricos BYD na cidade de Camaçari, Bahia, em 9 de outubro de 2025, contou com a participação do presidente Lula, do governador Jerônimo, do prefeito de Camaçari Luís Caetano, do presidente mundial da BYD Wang Chuanfu, além de muitas outras autoridades e representações empresariais. Também se fez presente o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que já havia apresentado reclamações quanto às relações entre empresa e trabalhadores.
O evento foi saudado pela importância da retomada da indústria automotiva na Bahia, após a saída da Ford, em 2021, e também por ser a primeira fábrica de veículos elétricos da América Latina. A cerimônia foi marcada pelo anúncio da intenção de ampliar a produção para até 600 mil veículos/ano, associada a planos de comercialização no mercado internacional. A nova unidade fabril também é representativa da perspectiva de modernização industrial e de desenvolvimento tecnológico pretendidos pelo governo federal.
A modernização dos processos produtivos e dos produtos industriais, contudo, não tem sido acompanhada pela modernização das relações de trabalho, o que pode representar um importante obstáculo. Se é verdade que os embates são normais nas relações entre trabalhadores e empregadores, é preciso garantir que o espaço para a negociação e o respeito à organização dos trabalhadores sejam mantidos.

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03 outubro, 2025

Tríplice Representatividade e socialismo de mercado na China


Trabalhadoras em fábrica têxtil voltada para mercados internacionais, na província de Shandong, China. Foto: Xinhua/Guo Xulei


No discurso proferido durante o desfile em comemoração dos 80 anos da vitória da resistência chinesa à agressão japonesa e da vitória na Segunda Guerra Mundial, Xi Jinping – presidente da República Popular da China (RPC), secretário-geral do Partido Comunista e presidente da Comissão Militar Central (CMC) – destacou o dever dos chineses de defender o Partido, o marxismo-leninismo, o pensamento Mao Zedong, o pensamento Deng Xiaoping, o conceito de Desenvolvimento Científico e a teoria da Tríplice Representatividade. 

Da Revolução à abertura: etapas do pensamento socialista na China 

Cada uma dessas formulações corresponde a um estágio da elaboração teórica do socialismo na China, a partir de Mao Zedong – “O Grande Timoneiro” líder da revolução, fundador e primeiro presidente da RPC, que conduziu o país na fase inicial da construção socialista, inspirando-se nas ideias do marxismo-leninismo. Deng Xiaoping, embora não tenha sido presidente nem Secretário-Geral do PCCh, exerceu grande liderança entre 1978 e 1993, especialmente como presidente da CMC. Coube a ele formular e implementar a política de Abertura e Reforma, base teórica para o socialismo com características chinesas, e definir como principal tarefa do socialismo o desenvolvimento das forças produtivas.

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