Um dos elementos-chave do socialismo com características chinesas é o modelo de planejamento econômico e a dinâmica que tem contribuído para o cumprimento das metas nele estabelecidas, envolvendo não apenas o setor público mas também o setor privado. A definição das metas e o seu monitoramento abrangem variáveis macroeconômicas básicas, como juros, inflação, câmbio e emprego, mas também os investimentos nos setores prioritários, regiões do país, tecnologias e infraestruturas, em função dos objetivos estratégicos. Como o modelo evita que o mercado atue de forma a determinar um rumo para a economia diferente daquele pretendido pelo Estado? Como orienta os investimentos privados para os setores que correspondam às diretrizes do desenvolvimento estabelecidas no planejamento estatal?
Essas questões dizem respeito ao próprio conceito chinês de socialismo e ao papel que cabe ao Estado e ao mercado. As metas são construídas com participação da sociedade, do setor público e privado, bem como consultas diretas à população. Isso, porém, não é suficiente. A implementação das metas exige instrumentos capazes de estimular a convergência dos esforços para o seu cumprimento, sobretudo pelo setor privado. Neste aspecto é que se destaca a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), responsável pela coordenação do planejamento econômico e social, formulação de objetivos estratégicos e acompanhamento de sua execução. A capacidade de transformar os objetivos do planejamento em decisões concretas de investimento depende, portanto, da atuação coordenada de diferentes instituições, com atribuições específicas na formulação das políticas econômicas, na supervisão das empresas estatais e na regulação dos mercados.
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