18 dezembro, 2025

Teoria dos Três Mundos expressa contradições do socialismo no século XX




 Deng Xiaoping discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, durante o debate sobre matérias-primas e desenvolvimento, no contexto da Guerra Fria. Foto: UN Photo / Yutaka Nagata

Um dos conceitos mais controvertidos do campo do socialismo no século XX foi o dos Três Mundos, desenvolvido por Mao Zedong e expresso por Deng Xiaoping em discurso pronunciado na Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de abril de 1974, quando este chefiava a delegação chinesa. Embora não exista obra sistemática dedicada especificamente a essa formulação, apresentada à época com o status de teoria, seus fundamentos encontram-se em entrevistas de Mao Zedong, bem como em documentos e textos partidários do Partido Comunista da China.

Formulação da Teoria dos Três Mundos 

Segundo essa concepção, o Primeiro Mundo seria constituído pelas duas grandes potências econômicas e militares – os Estados Unidos e a União Soviética; o Segundo Mundo, pelas potências capitalistas desenvolvidas da Europa e pelo Japão; e o Terceiro Mundo, pela esmagadora maioria dos países em desenvolvimento ou de desenvolvimento atrasado, cujas soberanias estariam ameaçadas pela ação das potências pertencentes às duas primeiras categorias. A China se incluía, portanto, no Terceiro Mundo, ao lado dos países da Ásia, África e América Latina.

15 dezembro, 2025

Da Ford à BYD: novo paradigma produtivo reorganiza a cadeia automotiva

Chegada da montadora de carros elétricos chinesa impulsiona mudanças estruturais, redefinindo competências, fornecedores e exigindo novas estratégias de desenvolvimento industrial
Módulo do motor utilizado no sistema híbrido da BYD, exibido durante visita técnica à futura fábrica em Camaçari (BA), 02/12/2024. Foto: Thuane Maria/GOVBA.


Políticas públicas de atração de investimentos normalmente envolvem concessões fiscais, na forma de isenção total ou parcial de tributos, benefícios na aquisição de terrenos para construção de unidades fabris, ações de qualificação profissional e, eventualmente, facilidades no acesso a portos e à estrutura rodoferroviária. A justificativa para oferecer essas vantagens é a expectativa de retorno na forma de impostos, instalação de fornecedores nas proximidades e geração de empregos.
Essa foi a expectativa com a implantação da Ford em Camaçari (Bahia), no início dos anos 2000, concebida com base no modelo de condomínio industrial, que integrava fornecedores próximos à linha de montagem, privilegiava a produção modular e a coordenação logística para ganhos de eficiência. Duas décadas depois, a chegada da BYD ao mesmo local representa não apenas a substituição de um ator econômico, mas um salto tecnológico e produtivo: a fabricação de veículos elétricos exige o redesenho das cadeias de fornecimento, especialmente no que tange a componentes críticos, como baterias e motores elétricos.
Essas formas de organização da produção tendem a produzir impactos distintos nas regiões em que são implantadas, e o poder público precisa planejar os passos seguintes de maneira a aproveitar todo o potencial. Esse planejamento deve ir além da simples atração de investimentos, buscando integrar essas novas plantas industriais – como no caso da BYD – a uma estratégia nacional de reindustrialização orientada pela transição energética e digital. Isso implica criar mecanismos de cooperação tecnológica, incentivar fornecedores locais em segmentos de eletrônica e software, e articular universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento em torno da nova cadeia automotiva elétrica.


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