01 setembro, 2006

Trabalho e qualidade total




Revista Princípios

O envolvimento do trabalhador é um sintoma de uma mudança qualitativa na tradicional relação entre os termos da luta de classes

Milton B. de Almeida e Nilton Vasconcelos


Como caracterizar adequadamente o tipo de envolvimento dos trabalhadores com os novos processos produtivos e com a empresa no contexto de crise do chamado mundo do trabalho e de implantação de tecnologias de gestão do tipo Qualidade Total? O objetivo deste artigo é apresentar hipóteses capazes de suscitar polemicamente algumas respostas. Começaremos e exame do problema pela sua forma mais aparente, aquela que nos é apresentada com mais evidência e que parece ser, por isso mesmo, seu conteúdo natural.

Fruto da grande onda que tomou o cenário empresarial brasileiro, e incrementada pelo Programa Brasileiro de Produtividade e Competitividade, a Qualidade Total passou a ser tema obrigatório. As empresas que não introduzirem inovações tecnológicas e gerenciais sucumbirão.; os trabalhadores devem adaptar-se a elas, pois, do contrário, correm o risco de ocupar uma vaga no temível mundo dos excluídos. Essa é a primeira simbiose entre os interesses do trabalho e do capitalista: sob a angustiante necessidade da sobrevivência, lutam juntos para adquirir maior qualificação e competitividade. A emergente e inevitável competição no mercado mundializado num patamar tecnológico e gerencial superior (que as empresas locais não possuem) coloca a conquista de outro objetivo de interesse comum: a modernidade. Esta passa a ser, então, a forma ideológica que sintetiza, em si mesma, objetivos e meios; um padrão superior de existência, uma nova forma de organizar e gerenciar o processo de trabalho. É o que nos promete o governo, com a sua cruzada pelas "reformas estruturais", cuja terra santa será o fantástico mundo desenvolvido, onde a ciência, dia após dia, descobre e cria o modo de vida do futuro. Mas a modernidade, para cumprir plenamente sua função, deve revelar também o seu oposto – o jeitinho, o desperdício, a ineficiência, o estatismo, os privilégios, a destruição do pulmão do mundo, o extermínio dos meninos de rua… Para que se afirme imperiosamente sobre a recusa de uma auto-imagem envergonhada de si mesma.

Assim, Qualidade, Competitividade e Modernidade solicitam o trabalhador a mudar sua atitude diante do processo produtivo, a adotar uma "nova" cultura e uma "nova" visão de mundo. Particularmente a retórica da qualidade alcançou ampla difusão no país. Apresenta-se como filosofia/ técnica imprescindível ao bom desempenho das organizações, garantia da competitividade e da modernidade almejadas. Mas ambas pressupõem o domínio de certas forças materiais, o desenvolvimento de estratégias de conquista para derrotar os concorrentes e a disponibilidade do desejo de vencer dos envolvidos.

Antes de mais nada, empresas e países estão competindo entre si por tecnologias de ponta, sobretudo as de base microeletrônica. A introdução dessas inovações tecnológicas, resultantes do processo de acumulação do capital, modifica o caráter do trabalho e do profissional necessário à produção e, por desdobramento, da sua relação com a empresa.

Com o domínio da informática e da cibernética, as novas máquinas forma dotadas de maior poder de auto-regulação e projeção do processo de trabalho, desenvolvendo, assim, crescente autonomia operativa frente ao trabalhador. Como funcionam com modelos de representação do real – que são, obviamente, diferentes do real – essas máquinas possuem uma capacidade limitada quando se trata de operar com eficiência diante dos imprevistos e da variabilidade de situações, criando problemas que podem contaminar todo o processo produtivo, já que são sistemas complexos altamente integrados. Surge a necessidade de substituir o trabalhador típico do taylorismo por outro, que tenha capacidade de analisar fenômenos em processo de interação, criatividade na resolução dos problemas e disponibilidade para resolvê-los em equipe. Configura-se , então, uma situação de "vulnerabilidade tecnológica" do capital em relação ao trabalho, forma mais desenvolvida de exposição do processo produtivo às "qualidades sociopsicológicas" dos trabalhadores (Castro, 1994).

Nessas condições, o capitalista transforma a organização do espaço e as referências simbólicas da empresa para travar com o trabalhador uma disputa cotidiana pelo seu potencial cognitivo e comportamental. O objeto em disputa obriga a que o constrangimento e a vigilância sejam substituídos pela construção de um ambiente propício à conquista e à sedução.

Para sobrepor-se aos concorrentes, as empresas adotam uma estratégia geral cujo objetivo é adequar a produção ao consumo: conquistam os mercados aquelas empresas que souberem e puderem ser "conduzidas" pela demanda, que produzirem com flexibilidade e diversidade capazes de suprirem o mercado. Como objetivamente há uma mútua determinação entre produção e consumo (Marx, 1977) o problema da "adequação" diz respeito à existência de condições concretas para que, ao serem distribuídos, os produtos e os fatores de produção circulem de tal forma que se possa aproveitar o melhor possível o tempo de produção para atender as exigências mais pormenorizadas do mercado, no menor tempo e com a melhor qualidade. Só quando a concentração e a centralização de capitais e tecnologias atingem um estágio onde se acumulam informações precisas sobre fontes, natureza, qualidade das matérias primas e capacidade potencial de consumo dos mercados, e o capital alcance uma autonomia e hegemonia tais que envolva na sua dinâmica todas as formas de produção do capital, é possível falar, em termos macroeconômicos, de uma administração adequada que ajuste num fluxo sistêmico a distribuição dos diversos elementos utilizados no processo de produção-consumo. A flexibilidade, o tempo de produção e os prazos de entrega tornam-se, então, fatores, decisivos na concorrência entre as empresas.

De outra perspectiva, a formação de um mercado com exigências multivariadas e de uma produção capaz de atendê-lo e ser por ele determinada dependem essencialmente dos mesmos fatores: tecnologias e capitais que sustentam um processo produtivo flexível; controle de matérias primas e mercados que sustentem o funcionamento do sistema com um estoque de produtos restrito ao mínimo necessário; monopolização e concentração de capitais que restrinjam os mercados ao nível do previsível; desenvolvimento de instrumentos formadores e avaliadores de hábitos em larga escala – a mídia e as pesquisas de opinião – que possibilitem definição e formação dos perfis dos consumidores. Nesse sentido, a empresa monopolista busca uma produção que já não se dirige mais para o mercado em geral, e sim, para um universo virtual de consumidores. O controle relativo sobre variáveis econômicas, ao concretizar-se historicamente, tornou possível e necessário compatibilizar o universo micro da unidade produtiva ao universo macro da produção econômica dentro dos mesmos parâmetros de gestão. A Qualidade Total, tomada no sentido de uma otimização da relação entre todos os elementos do processo, tende a se constituir num paradigma das organizações em geral, inclusive do Estado.

Assim, não só as inovações tecnológicas mas também as novas formas de gestão exigem o mesmo tipo de trabalhador polivalente desempenhando várias funções ou operando várias máquinas. O poder de interferência do trabalho sobre a produção apóia-se numa base que é simultaneamente técnica e organizacional. O just in time, por exemplo, ao reduzir os estoques ao mínimo operacional, acentua essa dependência. Uma alteração na disposição em manter o ritmo de trabalho exigido poderá levar a um colapso do processo na proporção da dimensão da cadeia produtiva.

Dos pressupostos da competitividade anteriormente referidos – as suas forças materiais e sua estratégia de conquista dos mercados – deriva o terceiro elemento fundamental em disputa pelas empresas no sentido de definirem seu padrão de qualidade: a adesão dos trabalhadores aos objetivos da empresa, fenômeno que tende a se generalizar na medida em que o padrão de desempenho das empresas multinacionais torna-se determinante nas condições gerais da produção de bens e da disputa dos mercados. O envolvimento, que surgiu como uma particularidade da cultura japonesa, consolida-se como um processo fundamental da estrutura do sistema global, no sentido de que este não pode operar eficientemente sem aquele, e de que o envolvimento é um fator potencial de desequilíbrio do próprio sistema. De uma forma ou de outra, é inusitado que o capitalismo necessite de um trabalho "apaixonado" para realimentar sua prolongada velhice.

Variáveis econômicas, políticas e ideológicas que determinam o envolvimento

Como já vimos, são fatores muito gerais que determinam um novo padrão organizacional para as empresas onde (pressupõe-se) ocorrerá de fato o envolvimento. A empresa seria assim o espaço no qual relações sociais específicas teceriam uma rede de seduções irresistíveis para o trabalhador. O problema se resolveria então com a descrição e a explicação dos processos psicológicos em curso e suas determinações sociais. Mas o mondo fabril não é capaz de constituir plenamente uma realidade onde o envolvimento seja um fator estrutural do processo de produção.

O fenômeno do envolvimento aparece no quadro de uma grande ofensiva da empresa para conquistar o trabalhador e separá-lo de seus sindicatos e partidos políticos. Essa separação se faz mediante a utilização de recursos coercitivos, no interior dos quais busca-se substituir essas organizações pela própria empresa, configurando uma situação de acentuadas restrições à liberdade.

A repressão política, por sua vez, é subsidiária de uma violência ainda mais direta: a enorme crise social desencadeada com as mudanças tecnológicas em curso, que criaram um irreversível e crescente quantum de desemprego e, colateralmente, provocaram uma desqualificação de parte considerável da força de trabalho (Antunes, 1995). Todas essas formas de violência, declaradas ou implícitas, constituem o fundamento coercitivo dentro do qual se desenvolvem as cenas diárias de envolvimento e participação nos novos processos de gestão da relação capital-trabalho.

A violência contra os indivíduos exercida pela dinâmica impessoal do processo social é, diferentemente do que seria desejável, tomada pela maioria como natural, transcende ao poder de cada um, como se fosse a lógica da vida. A violência física, econômica e política é um meio fundamental para garantir a funcionalidade das instituições sociais, particularmente do Estado, e a normalidade do sistema como um todo. A violência estabelece os parâmetros jurídicos e políticos da sociabilidade em geral e em particular, das relações entre capital e trabalho. Nesse nível de análise, podemos supor que a coerção exerce uma determinação sobre as formas do envolvimento, mais do que sobre o seu conteúdo.

Bem mais próximas do conteúdo estariam as mudanças tecnológicas que tornaram o processo do trabalho mais dependente do potencial cognitivo e comportamental dos trabalhadores, criando entre eles um nível de envolvimento espontâneo, interessados que estão em desenvolver uma situação que lhes é mais significativa e vantajosa que a anterior. Nos Grundrisse, Marx vai mais longe ao concluir, das suas observações sobre as conseqüências da inserção da ciência na produção, que o trabalhador tende a tornar cada vez mais o sujeito ativo do processo, à medida que ele sai da posição de mero operador de máquinas e produtor de mais-valia para que o próprio Marx chamou de "supervisor".

Mas se tomarmos as formas do envolvimento como uma determinação da violência (exclusão social, repressão política, ameaça de desemprego) teríamos, então, uma variabilidade de formas que iriam desde a adesão passiva até uma adesão fingida, de uma espécie de sabotador em potencial. O nosso problema seria explicar as formas de envolvimento conscientemente criativas. Por outro lado, se tomarmos o conteúdo do envolvimento como determinação da qualificação (nos termos do supervisor de Marx ou do trabalhador polivalente), criaríamos uma irreconciliável contradição entre conteúdo e forma, pois então o que teríamos não seria propriamente uma "adesão aos objetivos da empresa", e sim o sujeito ativo, lutador pelo poder dentro dela. O nosso problema seria explicar que só uma minoria age dessa forma.

Na realidade, ambas as determinações estão presentes como conflitos que devem ser administrados por todos, trabalhadores e patrões. A suposição que fizemos para entender a natureza do envolvimento – coerção-forma/qualificação-conteúdo – tem de ser refeita. As ações práticas – de envolvimento, fingimento ou contestação – são objetivações de formas e conteúdos específicos de consciência e de representação da realidade tal como ela é vivida e/ou compreendida pelas pessoas. Portanto, para propor uma solução que possa desvendar a natureza como se constroem as formas de consciência social na sociedade capitalista e, em seguida, tentar compreender como um processo semelhante pode ocorrer no meio ambiente da Qualidade Total. O estado atual da consciência comum

Para continuarmos a digitar o nosso artigo não tivemos de saber o que é um computador. E é assim em nosso dia-a-dia. Fazemos milhares de coisas, entramos e saímos de inúmeras situações, usamos e consumimos os mais variados objetos sobre os quais é necessário saber apenas o suficiente para desempenhar uma ação cotidiana. Isso significa que para lidarmos rotineiramente com a vida é necessário tão somente um conhecimento comum, um senso comum, fundamentado nessa mesma atividade prática e sensível.

O "pensamento comum" não está intencionado para conceituar os fenômenos, nem para examiná-los abstrata e especulativamente, e muito menos para compreender a sua estrutura e suas leis, restringindo-se às formas fenomênicas da realidade. Os fenômenos, por sua vez, não se revelam por inteiro na sua forma, na sua aparência, mas é ela que apreendemos de imediato, porque é só dela que precisamos para agir no cotidiano. E é essa aparência que se manifesta de maneira tão regular e familiar que é tomada como se fosse a essência mesma da realidade. Esta se revela, então, como um conjunto de exigências e de esforços para satisfazê-las, sobre os quais criamos um sistema de representações cuja intenção é apreender apenas o aspecto superficial das coisas. Esse conhecimento, que se reproduz imediatamente com o mínimo de esforço cognitivo, e que é uma "quase-identidade" com a realidade, só pode ser construído social e historicamente, por e para uma práxis. A força pragmática da sua imediaticidade e praticidade, da intimidade e confiança com a qual ele nos permite agir eficientemente, dá-lhe um aspecto independente e natural. É nesse percurso que os objetos deixam de ser reconhecidos como o resultado da atividade social dos homens e a realidade esconde a sua essência de construto social sob o mundo de fenômenos objetivos e desumanizados.

A reificação da realidade, isto é, conversão em natureza independente, exterior e dominante, de objetos e fenômenos que são construídos por (e no interior das) relações sociais, toma uma forma específica no modo de produção capitalista. A essência dessa particularidade sintetiza-se no fato de que a sua possibilidade é medida pela produção e pela troca de objetos. Os homens relacionam-se uns com os outros trocando objetos sem os quais as exigências da vida diária ficariam como necessidades insatisfeitas, e o cotidiano dominado por um vazio insuportável. O mercado, como já demonstrou Marx, implica a existência de uma acentuada divisão do trabalho e exige como pressuposto que o próprio trabalho esteja cada vez mais disponível para a produção de valores que possam ser trocados entre si, independentemente do seu valor de uso. Ou seja, o trabalho disponível para produzir não para si mesmo, mas para outro, e para o qual foi necessário criar um poder especial: o de produzir uma equivalência entre os diferentes objetos de consumo e de ser ele mesmo um objeto de consumo. Essa equivalência materializa-se no representante universal da riqueza social, o dinheiro, que permite ao seu possuidor ter acesso a todo e qualquer produto ou serviço e, mesmo sendo mais outro objeto exterior que se interpõe entre os homens mediando suas relações, ao organizá-las, aparece como o criador dessas relações… Então aparece invertido: o ser só se realiza na posse do equivalente universal da troca, uma coisa, que transmigrou para si os poderes naturais dos homens. Na sociedade produtora de mercadorias, supera-se a antiga dependência pessoal para uma forma de interdependência radical e paradoxalmente desumanizada, coisificada.

A aparência dos fenômenos sobrepõe-se à sua verdadeira natureza: o valor de uso fica recolhido, sujeitado ao seu valor de troca, que só é "forma de manifestação de um conteúdo que se distingue dele", é o valor fundante de uma sociabilidade que se constrói sob a forma fenomênica dos objetos e sobre as suas formas de circulação, e não sobre o conteúdo das coisas e do trabalho concreto que as produziu. Fruto de prática social, a fetichização da realidade se instala; mas seria estranha ao homem se não fosse ela também produto e produtora de um fenômeno correlato na consciência. As representações mentais comuns do dia-a-dia não poderiam deixar de refletir a densa formalização do real que as relações sociais cuidaram de construir sistematicamente, e daí advém sua dificuldade em perceber a essência dessas mesmas relações.

Por outro lado, a produção de mercadorias generalizou-se. O universo das necessidades humanas para as quais não se encontra uma forma mercantil de satisfação foi reduzido a pouquíssimas situações de intimidade e de afeto e, mesmo nesses casos, sitiadas por processos de significação cujo valor fundamental é a troca. Essa expansão das relações mercantis é um movimento necessário da produção e valorização do capital, relacionando-se tanto com o crescente domínio de tecnologias que transformam setores da natureza anteriormente difíceis de serem acessados ou controlados quanto com a crise de consumo e, conseqüentemente, de reprodução. Ambos impulsionam (1) a eliminação dos enclaves pré-capitalistas até então contemporâneos e subalternos à produção burguesa, (2) a incorporação de vasto campo de existência biológica e social bem como (3) a criação de novas atividades como meios para a sua realização e, portanto, como novos produtos disponíveis no mercado.

Se as relações sociais capitalistas (ao estabelecerem como norma a função mediadora das mercadorias) criam o que chamamos de uma densa formalização da realidade, ao generalizarem vividamente para todo o cotidiano essa mesma função (mediadora das mercadorias), transformando a própria cultura (Williams, 1992) na qual estamos inseridos num sistema semiótico de natureza mercantil, acabam criando um mundo onde o conteúdo das coisas já pode ser finalmente esquecido, e não apenas sujeitado. De agora em diante, a realidade doa-se espontaneamente: basta sentir o mundo como ele é, pois não há sob ele nenhuma outra verdade a ser descoberta. Qualquer esforço de ir além do imediato é manifestação de uma tradição racionalista conservadora que visa impedir o homem de viver intensa e plenamente os seus sentidos, estes sim a única via de acesso ao conhecimento do mundo. Podendo conhecer apenas o aparente das coisas, o aqui e o agora tornam-se a única dimensão temporal e espacial da vida. O passado e o futuro devem ser abandonados em troca da vertiginosa multiplicidade e das possibilidades do presente. Não há por que desejar um futuro melhor, ele já existe como realidade tecnológica fantástica, e os que querem viver nele (e sem viver com e para ele não há possibilidade de sobreviver, pois é tão certo e inexorável que ele virá, que ele já se antecipa sendo presente) devem dispor todo o seu tempo e sua energia: entrega total ao presente, como exigência da produção econômica extraordinariamente competitiva, como submissão política ideológica resultante da negação de qualquer utopia e como processo cognitivo que consagra um empirismo radical e irracional.

Mas a consciência formal não pode sobreviver recusando definitivamente o conteúdo do qual, afinal de contas, ela é expressão, sem se converter numa apologia de si mesma. Numa espécie de canonização da superficialidade, numa forma exagerada, dramática e espetacular de descrever e nomear as mais simples banalidades (ou a mais repugnante das situações) e as mais ousadas conquistas humanas com os mesmos termos. Tudo é reduzido à forma e às mesmas formas superlativas. Busca-se preencher o vazio deixado pela recusa radical do conteúdo das coisas criando-se e recriando-se avidamente arquétipos e símbolos que possam etiquetar os objetos, as situações e as pessoas. A publicidade, o noticiário e até mesmo o linguajar comum do dia-a-dia nos dão uma infinidade de exemplos de como o discurso dramático e espetacular é cada vez mais corriqueiro para expressar não só os emblemas das mercadorias, mas também, para dar sentido e significado às pessoas e às relações entre elas. O império da Forma é, necessariamente, o reino das formas hipertrofiadas.

A construção da consciência individual assim tão alienada de si mesma só é possível porque é fruto de uma práxis histórica reificada no seu limite máximo. Como tem de recusar constantemente a verdadeira natureza das relações sociais, ela é ausência de liberdade, não só para os dominados como também para a própria classe que a criou. A formalização radical da realidade (práxis alienada) tecida no seio das relações sociais capitalistas deve submeter a todos. A burguesia faz crer a si mesma que não há outra forma de ser. Ora, isso ocorre sem nenhum recurso a qualquer poder mágico inerente às representações mentais típicas de uma prática social mediada por mercadorias. O que sustenta a predominância dessa forma de consciência social é sua institucionalização. É o fato de que tanto as relações sociais quanto suas representações são produzidas no espaço das organizações (empresas, tevês, cinemas, religiões, escolas, etc.) e difundidas para toda a sociedade. Esse fluxo permanente de produção e difusão garante que os velhos e os novos sujeitos sejam cotidianamente reinseridos no processo de sujeição que viabiliza a estabilidade das relações sociais e a funcionalidade das instituições burguesas.

Constatamos assim que, bem antes de a empresa pensar em envolver o trabalhador com os seus propósitos, ele já se encontrava envolvido numa teia de processos e valores que constroem estruturas cognitivas que o habilitam a interiorizar e reconstituir os ditos valores dentro de padrões de mudança absorvidos pela dinâmica do sistema – e a identificar prazerosamente a maneira espetacular como eles são apresentados como sendo parte vital do seu conteúdo. O problema da determinação do envolvimento pode então ter uma solução nos marcos de uma estrutura mais ampla. Ao tomar a aparência pela essência e a forma pelo conteúdo, pode combinar os termos do conflito de todas as maneiras possíveis. O envolvimento emerge, nesse caso, como uma síntese paradoxal dos fatores coercitivos e qualificativos do processo de trabalho. O envolvimento no meio ambiente da Qualidade Total

Em cada empresa são os Programas de Qualidade Total (PQT) que estabelecem as metas e princípios em torno dos quais todos devem se comprometer ativamente. Eles apresentam as novas técnicas de organização e controle da produção e do processo de trabalho, a nova "missão" da empresa como força organizadora da sociedade, a ressignificação do trabalho humano como fonte de realização, e não mais como alienação. Enfim, cabe a esses programas apresentar as formas pelas quais harmonizarão relações conflituosas como um imperativo dos novos parâmetros de competição. Os PQTs têm dois pressupostos básicos: 1) é possível conquistar um padrão de qualidade evolutivamente superior na produção e nas vendas, 2) com a condição necessária de que, reconhecendo a existência de conflitos, deve administrar eficientemente seus paradoxos (Lessa, 1995). Ou seja, além de realizar a mediação entre coerção e qualificação, fontes das quais se origina o envolvimento, os PQTs devem viabilizar a unidade entre outras situações genética ou contingentemente contrárias.

Já vimos que o primeiro pressuposto é satisfeito na medida em que o processo de produção-consumo adquire cada vez mais um caráter sistêmico. Concentremos nossa atenção no segundo.

Do ponto de vista do capital, o ponto de partida consiste em constatar que as mudanças em curso são inevitáveis e representam uma ascensão a um padrão evolutivo superior, sendo mais sábio adaptar-se criativamente a ele. Para ser um representante dessa nova geração de indivíduos bem-sucedidos, todos devem auto-administrar seu processo adaptativo pessoal em direção à Qualidade Total. Diz Lessa: "[…] Da mesma maneira que as organizações não sobrevivem se não se adaptarem livremente à dinâmica do meio ambiente, os indivíduos da organização não sobreviverão às mudanças organizacionais se não se posicionarem como seus agentes". Desafio que pode ser vencido, desde que as pessoas percebam as mudanças (…) "como uma provável fonte de satisfação para suas necessidades individuais e grupais, o que os motiva a se envolverem legitimamente no processo (…)".

Essa função de "sujeito ativo do processo", atribuída ao trabalhador, coloca-o disponível para interiorizar os mecanismos coercitivos que lhe serão apresentados não como normas disciplinares e punitivas, mas como valores e princípios ideológicos da empresa competitiva, parte integrante da sua própria qualificação, uma função da Qualidade Total. Opera-se aqui uma transmutação: o que é qualificação do trabalho é a qualificação da empresa – qualificação que aparece para o trabalhador como vantagens que o capital lhe concedeu por obra e graça da ciência e dever de sobrevivência. O conhecimento, a informação técnica e política e os valores ideológicos necessários ao novo tipo de trabalho são intensamente disputados pelo capitalista, já que, como dirigente e dominador do processo, não pode deixar de criar e recriar seu desenvolvimento numa rede de subordinações que controlem a qualidade do novo trabalhador.

Essa rede de relações sociais comporta necessariamente um conjunto de ações logicamente contraditórias geradoras de uma crise cognitivo-emocional que marca profundamente os indivíduos e acentua a força estrutural das representações formais nas suas consciências. Devemos descrever brevemente algumas dessas injunções paradoxais que comandam a natureza do processo produtivo sob o comando dos Programas de Qualidade Total:

· Eficiência-previsibilidade X Flexibilidade-incerteza. A eficiência almejada implica estabelecer metas factíveis fundamentadas em dados demonstráveis e a disponibilidade dos meios para realizá-las, e em torno das quais constituem-se missões da empresa. É na base dessa confiança na vitória que os estímulos se multiplicam. Mas esses planos só podem ser elaborados para prazos curtos (relativamente aos prazos anteriores), dada a complexidade e densidade das informações variáveis manipuladas e a relativa independência dos mercados. Trabalha-se, então, com a incerteza e com a necessidade de definir estratégias para lidar com elas, e não apenas com metas factíveis de serem cumpridas. Os ritmos de auto-regulação do sistema obedecem a uma dinâmica que não está prevista, mas para a qual a empresa deve estar preparada.

· Competição X Cooperação. Os setores e os grupos que compõem a empresa devem competir entre si, visando alcançar a maior qualidade possível através da valorização do sucesso individual e do grupo. Podem ter, naturalmente, entre as várias conseqüências, a eliminação do indivíduo ou do próprio grupo dentro da estrutura funcional da empresa. Mas isso ocorre dentro de um ambiente de necessária cooperação, dado o elevado grau de interdependência existente dentro de cada grupo e entre todos os setores da empresa.

· Aumento do fluxo de informações, quebra das barreiras hierárquicas, eliminação de ordens e proibições explícitas, autonomia, etc X Controle. Cria-se uma série de poderes e relações mais livres entre os trabalhadores e a empresa, que são vitais para o processo de execução das ações concretas de trabalho, mas que significam, também, novas e mais eficientes formas de controle. Na verdade, substitui-se o controle do chefe pelo controle dos pares e do desempenho em relação ao princípio consagrado e irrecusável da qualidade dos bens e dos serviços. Esse processo começa a ser estabelecido no momento em que a empresa concentra seu foco de atenção no exterior, no cliente, no outro que deve ser plenamente satisfeito. As normas de controle adquirem então uma função social, e assim podem ser naturalmente interiorizadas pelos indivíduos como virtudes morais. Inclusive os mecanismos que citamos acima (de cooperação e competição e de precisão e flexibilidade) acabam, também, por ser formas de controle no processo do desempenho dos indivíduos. Ou seja, o próprio sistema busca adquirir uma estrutura de controle implícita nos seus mecanismos. O trabalhador passa a ter dificuldade em reconhecer a existência da coerção, ou então, a identificá-la difusamente por todas as suas experiências dentro da empresa. Os termos dessas contradições devem encontrar em algum nível estrutural a possibilidade de emergirem como síntese, pois, do contrário, a simples operação com eles levaria a uma seqüência de impasses que paralisaria o processo produtivo.

É na forma de envolvimento que esses conflitos se equacionam – envolvimento que, por sua vez, antes de ser um conjunto de atividades práticas, é necessariamente um fenômeno no plano das representações mentais. Para isso é necessário reunir um aparato cultural (uma linguagem apropriada e um conjunto de recursos comunicativos específicos) que vai fazer a mediação entre o sujeito e essa realidade. Da mesma maneira que o trabalhador utiliza os instrumentos de trabalho como mediador entre ele e os objetos que devem ser transformados, usará os instrumentos semióticos fornecidos pela cultura dos PQT para formar a estrutura cognitiva da qual emergirão seus pensamentos e sua compreensão sobre os processos nos quais está envolvido.

Alguns traços característicos da cultura dos PQT

Um elemento fundamental é a emergência de uma linguagem onde a forma antecede o conteúdo como meio de significação. A utilização de um sistema de signos e símbolos formais, como já vimos, estrutura um tipo de consciência que não pode compreender a natureza das relações nas quais está sendo produzida e das quais ela é produtora. Nesse sentido, a experiência cognitiva e emocional dentro da empresa é uma continuidade da experiência anterior e simultânea que o trabalhador vive fora dela.

A fórmula Qualidade Total utilizada para significar a natureza das mudanças em curso nas empresas já revela o recurso espetacular e mítico característico da linguagem dos PQTs. O termo qualidade é usado genericamente, desvinculado de qualquer conteúdo específico, suficientemente flexível e indefinido para que possa representar as mais variadas situações e interesses com o sentido da excelência. O importante é reter desse termo seu valor estético e emocional, algo que todos desejam possuir e que, inequivocamente, pode ser bom e belo. Qualquer tentativa de explicação pode retirar-lhe o mistério e abalar seu poder de sedução. O termo total serve para hipertrofiar a qualidade, dando-lhe o sentido da perfeição.

Outros termos como defeito zero, duelos de performance, governo à distância, empresa quântica, instituição-mãe, comunidade de trabalho, espírito de família e milhares de outros semelhantes são exemplos de como a metáfora e a analogia são largamente utilizadas nas performances dos PQTs. Muitas empresas já adotam programas de treinamento de executivos que simulam combates em guerra com o objetivo de testá-los em situações-limite e situá-los dentro do novo espírito de combatividade. São chamados, então, de guerreiros, vencedores, matadores frios, para que formem uma auto-imagem heróica e grandiosa. Já os peões devem ver os seus chefes como "pais", ao mesmo tempo atenciosos e severos, cuja função é "animar" e aglutinar em torno da sua liderança a "sinergia" da sua equipe. É muito comum também difundirem entre os trabalhadores histórias e mitos sobre os patrões.

Os objetivos da empresa são apresentados como uma "Missão" que faz parte dos seus "princípios e valores permanentes" e realizam sua "responsabilidade social". A imagem idealizada da empresa preferida para a socialização é a da "Mãe" que alimenta seus filhos, ou da "Família" que lhes oferece oportunidade de crescimento. A qualidade deve ser uma "obsessão" da empresa. É preciso falar dela intensamente, como um "missionário" pregando uma revelação divina, ou como um Prometeu demonstrando o caminho preciso para o mundo da perfeição. A qualificação do produto e a satisfação do cliente são mais importantes do que o lucro, que é apresentado tão somente como uma decorrência natural da competência. A finalidade máxima do empreendimento capitalista, seu conteúdo, é substituído pela forma de conquistá-la.

Além de mobilizar uma linguagem de espetáculo religioso e publicitário, os PQTs buscam o aval de técnicas e conceitos da psicologia fluentemente utilizado nos cursos, reuniões, atividades lúdicas e de integração entre trabalhadores, executivos, patrões e suas famílias, visando condicionar respostas dos sujeitos às representações idealizadas do que eles chamam de "mudança em cascata". Pesquisas realizadas na França no final da década de 70 e publicadas no Brasil no livro O poder das organizações enfatizam que tem uma importância decisiva para a obtenção do envolvimento dos trabalhadores e a mobilização de um aparato comunicativo-afetivo, complexo e sistemático, capaz de criar mecanismos psicológicos de ajustamento que, em muitos casos, chegam à "dissolução da instância crítica dos indivíduos" (Pagès e outros, 1987).

No Brasil, pesquisa realizada em uma grande empresa nacional, pioneira na implantação da Qualidade Total e considerada um modelo de relações modernas entre capital e trabalho, visando identificar, entre outros fenômenos, qual a organização psíquica característica dos trabalhadores, chegou às conclusões que corroboram a hipótese que estamos defendendo: o envolvimento tem natureza paradoxal, determinada por fatores políticos e econômicos, mas que se realiza num outro nível estrutural, o das formas de consciência social. Por exemplo: entre os operários, prevalece um a forte inibição cognitiva "mantendo sua atividade dentro de um quadro factual no que eles se interessam apenas (…) por aspectos bastante funcionais e pragmáticos da realidade imediata, a fim de eliminar toda a incitação associativa". Entre os funcionários de escritório "encontramos a mesma abordagem superficial da realidade" e a manifestação predominante de um pensamento operário" (Antunes Lima, 1996). Conclusões

O percurso que fizemos para compreender o envolvimento levou-nos a que o descobríssemos mais entranhado na vida social e psíquica do que supúnhamos. Tentamos demonstrá-lo determinado por uma multiplicidade de fatores de ordem econômica que obrigam as empresas a perseguirem a excelência nos seus desempenhos – fatores que mudam de tal forma a base técnico organizacional da produção que a tornam "vulnerável" ao trabalhador. Esse poder, latente, se desenvolve à medida que a ciência adquire irreversivelmente o papel de fator determinante da criação da riqueza social.

Nas organizações empresariais, agem de forma direta e pragmática, auto-regulando o sistema, os processos de reificação da realidade e de formação da consciência formal. É nesse nível estrutural que ocorre o envolvimento, como uma espécie de força emergente que realimenta a capacidade do próprio sistema de reencontrar o equilíbrio e prolongar sua existência marcada pela contradição. O envolvimento, enquanto compromisso com a empresa e/ou com os valores e a lógica cultural burguesa, e como manifestação contemporânea predominante da consciência comum e formal, é um sintoma evidente das mudanças qualitativas que estão ocorrendo na tradicional relação entre os termos da luta de classes (político, econômico e teórico).

Ora, o envolvimento é um interagente de outros fenômenos: 1) o domínio da produção pela ciência e da ciência pela produção; 2) a psicologização do ato produtivo, na medida em que a formação de um perfil comportamental e cognitivo específico é imprescindível ao ato econômico; 3) a politização radical desse mesmo ato, evidenciada nas restrições à liberdade sindical e política e na educação política dos trabalhadores, que a empresa assume para si; 4) a volta da empresa capitalista ao corpo social do qual ela se separou para criar sua própria identidade, na medida em que os parâmetros atuais de competição exigem ações voltadas para a saúde e proteção ambiental, reciclagem de produtos e processos de produção, saúde e segurança dos empregados e comunidade, serviços comunitários ou programas de auxílio social e educacional, etc. Nesse sentido, há evidências muito fortes de que está ocorrendo uma multiplicidade de eventos decisivos, cujo significado geral é a incorporação de elementos estruturais da superestrututra sóciocultural e à rotina do processo produtivo estrito.

Assim, relações sociais de produção ficam envolvidas no ato de sua manifestação concreta por uma rede de elementos derivados que retornam à sua mais remota origem para realimentar a fonte que os originou – movimento inverso ao que universalizou a produção mercantil. Num primeiro sentido, toda a vida cultural foi incluída no circuito da produção de mercadorias; num segundo sentido, toda a produção foi politizada e ideologizada. O ato econômico torna-se, então, um fato da atividade de representação simbólica e, inversamente, as formas de consciência social constituem-se em fatos da produção econômica. Não cabe mais uma separação esquemática entre as estrutura mais gerais da vida social, já que elas se misturam.

Tudo indica que a prolongada crise estrutural do sistema capitalista e as respostas paradoxais que seus agentes sociais são levados a dar, consciente e inconscientemente, provocam o esgarçamento das fronteiras e das particularidades das suas estruturas originais, gestando-se, a partir daí, um outro sistema que o nega e lhe é superior. O que determina o sentido geral dessas mudanças é cada vez mais a função nuclear e estruturante da ciência e da produção do conhecimento em geral e, sobretudo das formas de consciência social no âmbito das quais esses mesmos conhecimentos podem ser produzidos e controlados.

A construção da consciência revolucionária, sem a qual o sujeito histórico dessa mudança sequer se constitui, só pode acontecer então como uma luta para tomar para si o conhecimento científico e tecnológico (particularmente a dialética e o materialismo histórico), recusando a mediação "onipresente e onipotente" dos sistemas sociais de significações formais que soterram no "insubstancial reino sem fundo da imaginação cultural e coletiva" a ideologia e a política (Jameson, 1994).

Nilton Vasconcelos é professor da Universidade Católica de Salvador (UCSAL) e mestrando em administração pela UFBA.

Milton B. de Almeida é estudante de psicologia e bolsista do CNPq.

Bibliografia

CASTRO, R. P. Tecnologia, trabalho e educação (indeterminações). Caderno ANPEd n. 6, 1994 MARX, Karl, Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Martins Fontes, 1977.
ANTUNES, Ricardo. "Adeus ao trabalho?" – Ensaio sobre as Metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho, 1995.
WILLIAMS, Raymond. Cultura. São Paulo: Paz e terra, 1992. Williams define cultura como "modo de vida global distinto, dentro do qual percebe-se um sistema de significações bem definido não só como essencial, mas como essencialmente envolvido em todas as formas de atividade social, e num sentido de cultura mais especializado, ainda que também mais comum, como atividades artísticas e intelectuais, embora estas, devido à ênfase em um sistema de significações geral, sejam definidas de maneira muito mais ampla, de modo a incluir não apenas as artes e as formas de produção intelectual tradicionais, mas também todas as práticas significativas – desde a linguagem, passando pelas artes e filosofia, até jornalismo, moda e publicidade – que agora constituem esse campo complexo e necessariamente extenso".
LESSA, Jorge. Qualidade competitiva no Brasil. Ed. Casa da Qualidade, 1995. O Autor foi Gerente de Recursos Humanos e especialista de Qualidade da Xerox do Brasil (ganhador do Prêmio Nacional de Qualidade, 1993).
PAGÈS, Max. O poder das organizações, a dominação das multinacionais sobre os indivíduos. Atlas, 1987.
ANTUNES LIMA, Maria Elizabeth. Os equívocos da excelência. As novas formas de sedução na empresa. Petrópolis: Vozes, 1996.
JAMESON, Frederic. Reificação e utopia na cultura de massa. São Paulo: Brasiliense, 1994.

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